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	<title>Flash Fiction &#187; Experimental</title>
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	<description>Ficção em Drops</description>
	<lastBuildDate>Tue, 30 Jun 2020 23:21:03 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
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		<title>Instâncias de chegada e partida</title>
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		<pubDate>Thu, 24 May 2018 08:46:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Flash Fiction]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Experimental]]></category>
		<category><![CDATA[Mainstream]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: left;"><strong>1. Carmem</strong></p>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><strong>1. Carmem</strong></p>
<p>A mão dele não era tão peluda assim. Sem dúvida foi o tamanho, os dedos enormes fechados na mulher inteira, erguendo-a, olhando de perto, fungando, investigando a reação. É claro que a tela do cinema não dá o cheiro, o mais aterrorizante agora, o leite de rosas que ele passava na nuca depois do banho, depois do trabalho, antes da janta, antes de minha mãe dormir, antes da porta do meu quarto se abrir lentamente, a luz do corredor apagada, uma sombra que se move. Colares: não uso nada no pescoço, nada se fechando ao redor dele. Um homem enorme, não um gorila em preto e branco. Peço licença pra Sara, preciso ir ao banheiro. No corredor, antes das cortinas, desmorono, ao fundo os gritos aterrorizados dos figurantes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><strong>2. Lázaro</strong></p>
<p>Os outros preferem comer lá em cima, balançando os pés na amurada, o vento na cara, lufadas mortíferas que pescam uma alface ou um naco de carne dos sanduíches. Mas não é por isso que sento aqui. É pela rua. Pelas pessoas, em especial as que vão ou voltam da avenida, dos prediões chiques. Carmem tá aqui hoje de novo, na lanchonete, tomando café atrás do vidro. Sei que ela trabalha na imobiliária, prédio da esquina, 11º andar. Quem me falou tudo isso e mais o nome foi a garçonete. Hoje não sou só eu que assisto Carmem, uma Carmem tristonha, tão diferente, dá vontade de abraçar, pegar no colo, perguntar o que foi. O engomadinho da mesa vizinha parece ter a mesma ideia. Coitado. Nem imagina o tipo dela. Ainda mais abalada desse jeito.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><strong>3. Sara</strong></p>
<p>Mais um café, senhora?</p>
<p>Não, obrigada.</p>
<p>A senhora tá com fome? Acabou de sair uma fornada de croissants, quentinhos.</p>
<p>Só o café mesmo.</p>
<p>Tem certeza?</p>
<p>Tem algum problema? Em só querer o café?</p>
<p>Desculpa, dona. Mas entrei depois do almoço e a senhora tá só tomando café a tarde toda, me disseram que desde de manhã. Já aconteceu, não com umas pessoas assim bem apessoadas como a senhora, mas já aconteceu de virem aqui achando que iam passar o dia enchendo a barriga de café e desmaiarem de tanta cafeína e acabarem carregados pro hospital às pressas. Por isso é que eu pergunto.</p>
<p>Tá, me vê um croissant então.</p>
<p>Claro. Já volto.</p>
<p>#</p>
<p>Aqui, senhora, trouxe um pouco de manteiga também.</p>
<p>Obrigada.</p>
<p>Já vi a senhora por aqui antes. Mas sempre com uma amiga loira.</p>
<p>Sim. Fomos ao cinema ver King Kong ontem de manhã, depois ela sumiu. Achei que a encontraria aqui hoje.</p>
<p>Ela veio ontem à noite, acompanhada.</p>
<p>Sério?</p>
<p>Sim, senhora, eu que atendi.</p>
<p>Acompanhada de quem?</p>
<p>Um homem bem novo, magro, alto, de terno. Ela ria bastante.</p>
<p>Isso é sério mesmo?</p>
<p>Por que eu mentiria pra senhora? O homem tinha uma cara de bebezão.</p>
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		<title>Das parcerias que nascem desfeitas</title>
		<link>http://flashfiction.com.br/das-parcerias-que-nascem-desfeitas/</link>
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		<pubDate>Thu, 03 May 2018 20:10:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Flash Fiction]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Experimental]]></category>
		<category><![CDATA[Policial]]></category>

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		<description><![CDATA[<p><strong>O fim:</strong> Souza achou que não faria a menor diferença, não pra Melanie. Estavam juntos há coisa de um ano, ela e o grupo, e eles dois há uns três meses. Mas em outro nível. Da cama pras reuniões pra cama pros assaltos pros bancos traseiros pros bares pros banheiros imundos com as portas de trinco quebrado.</p>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O fim:</strong> Souza achou que não faria a menor diferença, não pra Melanie. Estavam juntos há coisa de um ano, ela e o grupo, e eles dois há uns três meses. Mas em outro nível. Da cama pras reuniões pra cama pros assaltos pros bancos traseiros pros bares pros banheiros imundos com as portas de trinco quebrado.</p>
<p><strong>O começo:</strong> ele foi o típico cara certo no lugar certo na hora certa.</p>
<p><strong>Cara certo:</strong> Souza cresceu numa família pancada. Depois que o pai faleceu, baleado numa briga com um vizinho na cidadezinha em que moravam, viajou com a mãe roubando postos de gasolina e mercados de bairro. Sua irmã ainda era muito pequena pra entender qualquer coisa, então a maior parte do tempo ele ficava no banco traseiro cuidando dela, balançando a cadeirinha, enquanto a mãe ia e voltava, esbaforida, com a sacola cheia jogada no banco do carona. Até o dia em que ele, aos oito anos, perguntou onde tavam chegando, apontando uma placa. A mãe deixou os filhos com uma irmã, que os colocou na escola. Antes de se formar, a mãe voltou e o levou de volta pra estrada, treinando-o como motorista prum assalto a banco que acabou com ela plantada num hospital pra morrer pouco depois. Com 15 anos, ele escolheu continuar com o resto do grupo da mãe, um bando de salafras que vivia de roubos pequenos e arriscados, e assim terminou de se criar. Um morria, outro ia preso, outro desaparecia, e os grupos iam se metamorfoseando conforme os tempos, ele junto.</p>
<p><strong>Lugar certo:</strong> o Furada, butecão de esquina no centro, com muitas mesas de plástico na calçada e umas boas mesas de sinuca lá dentro, residência certeira do baixo clero do crime. A contraparte puteiro com os quartos de teto baixo tava fechada há coisa de uma década, e o ocasional tráfico que rolava solto nas dependências, com os óbvios 10% escorregados na mão da Miriam, a dona, tinham se acabado há mais tempo ainda, quando um policial honesto resolveu dar de herói e acabou quase morto na porrada, o que não favorecia ninguém, e desde então a Miriam se contentava com a cerveja e os salames e as porções de coraçãozinho e torresmo e calabresa, reclamando dos impostos que não pagava e falando da época de ouro do bar, mesmo todo mundo sabendo que aquilo nunca tinha passado de um butecão ensebado com cerva barata e aporrinhação zero.</p>
<p><strong>Hora certa:</strong> o grupo de Melanie tentava se distrair jogando sinuca num canto do Furada, falando da burrice do desfalque inesperado, o motora preso por não pagar a pensão da filha. Tinham planejado uma série de assaltos em bairros grã-finos da cidade. Os procuradores, juízes, fazendeiros, empresários que ainda não tinham se mudado pros condomínios fechados e guardavam algo graúdo nos cofres de armário, nas gavetas de relógios, nas caixas de joias, e acima de tudo nas garagens, as caminhonetes repassadas proutro grupo que vendia na Bolívia. Nada muito lucrativo, muito inteligente. Souza, por outro lado, amargava a dissolução das últimas companhias e pensava numa desculpa pra se livrar do Bolo, o único restante da última leva, um cara não muito sagaz que podia ser apontado como responsável indireto por duas mortes no passado recente. Aí Souza viu Melanie. Os dois se pegaram perto do balcão, e ele acabou na roda dela, e ouviu a história, contada meio que pra impressionar o desconhecido, e viu que eles precisavam de um motorista, e calhava dele ser um bom motora.</p>
<p><strong>O fim, novamente:</strong> o problema era que Melanie, diferente dele, realmente se importava com os comparsas. Então quando ele propôs que os dois pegassem toda a grana desse assalto em questão, uma grana preta que tinham descoberto num escritório de advocacia que era do operador de propinas do partido do governador, e dessem no pé, ela hesitou. Hesitou porque não queria ir embora, não queria trair os comparsas, não queria, no fundo, ficar dependente de Souza, de quem gostava mas desconfiava, já que, no fundo, ele não levava nada a sério. Então ele sossegou, disse que era só uma besteira que tinha passado pela cabeça, e foram pro serviço. No fim, a polícia chegou no escritório logo depois de Melanie sair com a primeira e maior parte numa mala, e no tiroteio os outros morreram. Acabou que os dois repartiram a grana e Souza foi embora, sem Melanie saber se foi ele quem avisou a polícia.</p>
<p><strong>Depois do fim:</strong> Souza voltou com o rabo cheio da grana pra casa da tia, que precisava, entre outras coisas, reformá-la. Não pisava ali desde que tinha partido com a mãe. A irmã de Souza estava terminando o colégio e pensava seriamente em fazer faculdade. Souza ficou feliz, que é o que sempre acontecia antes do dinheiro acabar, e deixou a maior parte da grana ali antes de voltar pra cidade pra encontrar o Bolo, que mandou mensagem avisando que tava andando com uma turma nova e porreta que ele precisava conhecer.</p>
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		<title>Dos cadarços desamarrados</title>
		<link>http://flashfiction.com.br/dos-cadarcos-desamarrados/</link>
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		<pubDate>Thu, 12 Apr 2018 20:07:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Flash Fiction]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Experimental]]></category>
		<category><![CDATA[Policial]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Ajudo a segurar o Valmar pelos pés, enquanto Morro segura os braços e o genro do Morro enfia uma pinça enorme de ferro na barriga dele, cavucando pra pegar a bala. Os gritos são abafados pelo pano enfiado na boca do coitado, branco de tanto perder sangue, suando frio, o cabelo encharcado. Fora, os homens andam de um lado pro outro da rua, porque sabem que estamos escondidos em uma das casas. Se ouvirem os gritos amarfanhados do Valmar, ferrou. Por outro lado, se não tirarmos a bala e costurarmos, ele não vive mais cinco minutos.</p>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Ajudo a segurar o Valmar pelos pés, enquanto Morro segura os braços e o genro do Morro enfia uma pinça enorme de ferro na barriga dele, cavucando pra pegar a bala. Os gritos são abafados pelo pano enfiado na boca do coitado, branco de tanto perder sangue, suando frio, o cabelo encharcado. Fora, os homens andam de um lado pro outro da rua, porque sabem que estamos escondidos em uma das casas. Se ouvirem os gritos amarfanhados do Valmar, ferrou. Por outro lado, se não tirarmos a bala e costurarmos, ele não vive mais cinco minutos.</p>
<p>A bala enfim aparece na ponta da pinça, amassada contra algum osso, e despenca no chão. Largo os pés de Valmar e me aproximo da janela, puxando a cortina, pegando o revólver do bolso.</p>
<p>Que cê tá vendo, Marlon?, diz Morro.</p>
<p>Tem dois deles fumando lá na esquina, digo. Não tô vendo mais ninguém. Vou tentar a janela da cozinha.</p>
<p>A cozinha fica na lateral da casa que dá pro outro lado da rua. Vejo mais homens batendo em uma porta duas casas pra baixo. Um senhor abre. Eles falam algo e entram, empurrando.</p>
<p>Eles tão checando as casas, digo. Logo vão chegar aqui.</p>
<p>Ferrou, diz Morro.</p>
<p>E se vocês se entregarem?, diz o genro dele, único honesto — e ingênuo — aqui.</p>
<p>Eles querem sangue, guri. Taí o Valmar de prova.</p>
<p>Bom, segura ele de novo, diz o garoto. Preciso costurar.</p>
<p>Ele dá uns pontos, Valmar volta a gritar, e então ouvimos as batidas. Olho pro guri assustado, casado com a única filha do meu comparsa. Vou até a porta.</p>
<p>Dou os dois tiros que restam na madeira, um pra cada lado. Então me afasto, e tiros lá de fora varam porta adentro. Corremos pros fundos. Apanho o Valmar da mesa e coloco nas costas. Bicho pesado da porra. O Morro sai da casa empurrando o guri na frente, mas os homens já tão ali fora de butuca.</p>
<p>O guri cai primeiro, sangue espirrando dos dois lados, e o Morro cai na sequência. Não olho pros atiradores, sei que são no mínimo seis. Pulo um, pulo outro, continuo. Valmar pesa, mas dá nada.</p>
<p>Corre, Marlon, diz o Valmar, ou acho que diz, balançando igual lambari na terra nas minhas costas, você sempre foi bom nisso.</p>
<p>É verdade. Meu pai, que trabalhou na polícia depois de pedir dispensa do exército, treinava comigo todo dia cedo, antes do serviço. A gente saía antes da minha mãe acordar, ia até o porto e voltava. Ele comprava pão, e a mãe de camisola com o café pronto, sempre, quando a gente chegava.</p>
<p>Correr é coisa de objetivo. Ele me falava isso. Você estipula uma meta, como uma volta completa no bairro, ou até a ponte, ou até ali adiante, depois das casas do outro lado da rua, onde não tem mais ninguém atirando. Você dispara e começa a pensar noutra coisa, evita o mero pensamento de desistir</p>
<p>porque você não vai desistir, mesmo que enfrente uma subida e perca o fôlego e sinta os pulmões ardendo, você não para,</p>
<p>só desacelera, mas continua, e danem-se os obstáculos, o peso no ombro, as balas varando</p>
<p>as coxas, as costelas,</p>
<p>o peito, você continua</p>
<p>porque não pode</p>
<p>nem de longe</p>
<p>admitir</p>
<p>que vai</p>
<p>desis</p>
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		<title>berátna :cinko :criançada é zika</title>
		<link>http://flashfiction.com.br/beratna-cinko-criancada-e-zika/</link>
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		<pubDate>Wed, 27 Sep 2017 15:05:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Flash Fiction]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Experimental]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção Científica]]></category>
		<category><![CDATA[Policial]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>.parecem dois crianços, pelo tamanho, e não usam roupa refrigerada como todo mundo .o + alto tem quatro braços, num deles um pistoleto, noutros dois facónes longomonstros .o menor tem dois braços mas eles não terminam em mãos e sim em bloquetos revestidos de onde saem duas lâminas .fodeu gostoso</p>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>.parecem dois crianços, pelo tamanho, e não usam roupa refrigerada como todo mundo .o + alto tem quatro braços, num deles um pistoleto, noutros dois facónes longomonstros .o menor tem dois braços mas eles não terminam em mãos e sim em bloquetos revestidos de onde saem duas lâminas .fodeu gostoso</p>
<p>¹.não tenho pikas contra ustedes, na vera_digo_.façam o que quiserem, tão livres, só quero abrir</p>
<p>.descolo o cabeço do tubo que me mocoza e o maior tá co pistoleto mirado em mim mas não atira .volto a mocozar mas enfim olho pro tubo e há um anfíbio, ou gente-anfíbio, os olhinhos grudados no vidro bem onde tô .pulo pra trás .os dois crianços continuam me encarando, ou parecem me encarar, não dá pra ver o cabeço deles dentro dos capacetos fumês .não fazem mención de atacar, então nem volto a levantar o pistoleto .o menor passa uma lâmina no pescoço da felony e o cabeço cai no colo .trampo feito sem erro agora</p>
<p>.o menor vai até o fundo do saleto, uma das lâminas retrocede e desaparece dentro do bloqueto e alguns tocos que lembram dedos surgem das extremidades .ele começa a manipular a tela .logo vejo um sequêncio de vids das câmeras internas .felony rola sangrando pra dentro da porta, se levanta e vai correndo até os fundos .eu entro logo atrás, co pistoleto em punho .faço o reconhecimento do primeiro saleto enquanto felony libera a tranca da porta onde eles tão mocozados .me aproximo de felony, eles aparecem, me mocozo atrás do tubo</p>
<p>¹?tão vendo .eu só queria pranchar ela .nem sabia que ustedes existiam .que isso aqui existia</p>
<p>.o menor continua manipulando a tela .as imagens das câmeras pulam e fotos dos cientistas do lab ganham destaque .a de tóide é alargada e ocupa a tela toda .o garoto se vira pra mim, ou vira o capaceto na minha direção, e aponta a foto</p>
<p>¹.tóide forman_digo</p>
<p>.o maior abaixa o pistoleto e ca única mão livre aponta a tela também</p>
<p>¹.é o tóide forman_volto a dizer_.ele me contratou pra pranchar a felony, que tá aí no chão .foi isso que eu vim fazer, só isso .recebi pra fazer o serviço e pronto</p>
<p>.a guarda deles suavizada, posso meter um balaço em cada. mas algo me diz que não vai ser suficiente, então fico na santapaz</p>
<p>¹?quem são ustedes ?o que tavam fazendo aqui</p>
<p>.o menor manipula a tela .surge a foto dum prédio .não conheço direitudo o complexo b, mas reconheço o endereço porque foi dos poucos lugares que frequentei</p>
<p>¹.é o prédio do tóide</p>
<p>.o maior enfia o pistoleto atrás da cintura do calço, e coloca os facónes numa bancada .o menor já tá ca outra lâmina recolhida .não querem zika .o maior passa a manipular a tela também .roda um vid de fazhora, ca data de três anos atrás na ponta, e dentro de um tubo tem um crianço com quatro braços, encolhido, electrodos e fios plugados no corpinho .ele tá sem o capaceto e parece um crianço normal a não ser pelas veias estouradas e o lábio leporino .corta prum vid dum guri menorzín numa mesa de operações, as mãozinhas amputadas e os bloquetos sendo analisados por tóide + felony + vários cientistas .o prédio volta a ocupar a tela</p>
<p>¹.sei onde é .saquei .só preciso abrir no final ?combinado</p>
<p>.o maior levanta os quatro dedóns fazendo sinal de joia e anda na direção do primeiro saleto .o menor pega dois casacos com gorro do armário do banheiro .lá fora se vestem, mocozando os corpinhos cabeçudos .a porta fica escancarada .o maior vira o contêiner de lixo cheio no chão e o montagal se esparrama pela rua .o menor derrama algo de dentro do bloqueto e logo tá tudo pegando fogo .os tronxos logo logo farejam</p>
<p>.seguimos pelas ruas até um ponto de carreto auto-dirigível .abro a porta traseira e eles se enfiam .sento na frente .falo o endereço de tóide e o carreto acelera .eles olham pra fora pelos janelos, cada um prum lado, inexpressivos atrás dos capacetos escuros, acho que pirando pakas no festival luminoso dos holos .a pele dos braços e pescoços é cinzenta e há esporos, espiños em alguns pontos</p>
<p>.o carreto para diante do prédio</p>
<p>¹.é esse aí_digo_.horizonte 34, apartamento 14</p>
<p>.os dois saem, duas silhuetas cruzando a calçada e entrando no prédio .saio do carro também, olhando as barracas e identificando o yaki de aanssaq onde fiz o primeiro reconhecimento meses atrás, quando o alvo ainda era tóide .ironiamonstra .peço um pra viagem e saio garfando, na direción da fronteira .tronxo de alfândega fecha o olho quando a gente desce de complexo, ainda + com grano, zika é subir .grano é só metade do combinado pro pranchamento, mas melhor que nada .na esquina ouço o barulho e olho pro prédio e vejo brilhando no ar os estilhaços do janelo junto com dois pedaços de gente que eram tóide forman despencaindo na noite</p>
<p>.vida de moco tem dessas, na vera .cê nunca sabe co que pode topar</p>
<hr />
<p>Esta é a quinta e última aventura de berátna. Confira a lista completa:<br />
<a title="berátna :uno :lar doce lar" href="http://flashfiction.com.br/beratna-uno-lar-doce-lar/" target="_blank">- berátna :uno :lar doce lar</a><br />
<a href="http://flashfiction.com.br/beratna-dos-moco-e-profissa/" title="berátna :dos :moco é profissa" target="_blank">- berátna :dos :moco é profissa</a><br />
<a href="http://flashfiction.com.br/beratna-tri-tempo-na-xilindra/" title="berátna :tri :tempo na xilindra" target="_blank">- berátna :tri :tempo na xilindra</a><br />
<a href="http://flashfiction.com.br/beratna-kuatro-tudo-por-grano/" title="berátna :kuátro :tudo por grano" target="_blank">- berátna :kuátro :tudo por grano</a><br />
<a href="http://flashfiction.com.br/beratna-cinko-criancada-e-zika/" title="berátna :cinko :criançada é zika" target="_blank">- berátna :cinko :criançada é zika</a></p>
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		<item>
		<title>berátna :kuátro :tudo por grano</title>
		<link>http://flashfiction.com.br/beratna-kuatro-tudo-por-grano/</link>
		<comments>http://flashfiction.com.br/beratna-kuatro-tudo-por-grano/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 21 Sep 2017 14:37:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Flash Fiction]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Experimental]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção Científica]]></category>
		<category><![CDATA[Policial]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>.lugar de moco é no escuro, socadinho na parede do beco .o desconforto moco mastiga pensando no grano no fim do trampo .moco mastiga até mesmo uns meses na xilindra, coisa que o felo da puta do tóide achou que podia fazer desde que pagasse .e maldición, podia mesmo, que co bolso fofo fico na fina .pediu desculpa pela mão e pra compensar mandou instalarem a extensión + de ponta na enferma, e eu já tava tão acostumado co ela que na vera quase agradeci e pedi pra explodir a outra e pagar + uma .fiquei impressionado co trabajo de me rancarem da xilindra depois de pranchar o tororó, que + fácil era me pranchar e pronto .mas tóide se mostrou um cabro de palavra .ou melhor, um cabro que tinha + um trampo .a real é essa, não dói não, vida de moco é isso</p>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>.lugar de moco é no escuro, socadinho na parede do beco .o desconforto moco mastiga pensando no grano no fim do trampo .moco mastiga até mesmo uns meses na xilindra, coisa que o felo da puta do tóide achou que podia fazer desde que pagasse .e maldición, podia mesmo, que co bolso fofo fico na fina .pediu desculpa pela mão e pra compensar mandou instalarem a extensión + de ponta na enferma, e eu já tava tão acostumado co ela que na vera quase agradeci e pedi pra explodir a outra e pagar + uma .fiquei impressionado co trabajo de me rancarem da xilindra depois de pranchar o tororó, que + fácil era me pranchar e pronto .mas tóide se mostrou um cabro de palavra .ou melhor, um cabro que tinha + um trampo .a real é essa, não dói não, vida de moco é isso</p>
<p>.outro alvo no complexo b .esse não é grã-fino igual tóide, não tem grano pra habitar horizonte co brisa .mora no fervo, que complexo b tem fervo também se souber procurar, mas trabalha no mesmo lab do tóide .subordinado dele, pelo jeito, embora tóide não tenha falado zika de hierarquia, do que fazem ou deixam de fazer .na vera moco não tem que saber pikas, moco tem que pranchar alvo, receber e abrir .fechando o trampo é de volta pro complexo c, que o b é maravilho mas não é lar, não dá pra confiar em ninguém .e é zika pegar trampo direto co cliente, sem mediação do súbaru, que filtra e protege como pode seus mocos .não pago a comissión mas fico no escuro, e moco trampa no escuro mas não vive no escuro que aí já é pedir pra acordar pranchado .zóio na nuca define</p>
<p>.antes de fechar contrato, confirmei co súbaru os pingos nos is, que do jeito que as coisas tinham ido tive zero tempo de checar qualquer coisa, foi acordar na xilindra de folga forçada por uns meses .achei um comú raspado e súbaru mandou a gueixinha enfiada entre as pernas abrir e falou comigo emocionado, na vera, o cúmpa achou que eu tinha partido mesmo dessa, não me acharam no complexo b porque meu doc caiu quando ficharam no sistema e fui registrado como zé, dos muitos zés na xilindra que chegam sabe-se lá de onde e foda-se porque dali não vão sair mesmo .mas eu saí, e súbaru quase não acreditava .ele disse que era mesmo o tóide o contratante e perguntou se tava feito .eu disse que explicava direito quando voltasse pra casa, tava zerinho, tinha que resolver umas coisas antes .fiquei imaginando como ele ia reagir ao ver um dos mocos ca mão biônica, isso é raromonstro no c, nossa vida é mambembe de+, oxi</p>
<p>.pedi três dias, pra verificar a rotina do alvo e achar outro pistoleto decente .não precisava de tudo isso mas tinha que passar um tempo socado no tanque de água salina curtindo hidromassagem no toba .ninguém é de ferro .tóide adiantou metade do grano, e não cobrei baratín, então comi como rei e tiro um breque no ar-condicionado perfumado do espelunco, do qual já sinto saudademonstra</p>
<p>.o alvo é felony moraso, cientista e sujeita metódica, o que sempre ajuda os mocos .bate ponto no lab na matina, almoça no comedouro da esquina, trampa até oito e meia da noite, última a sair, tranca tudo, dá pulo no mercado no caminho do fervo, em casa assiste uns holos e tira um breque .três dias e tudo na mesma hora, alvo é reloginho mesmo .na noite do terceiro dia me enfio no beco doutro lado da rua .hora que tóide e seus cúmpas de trampo saem nem olha pra cá, ciente</p>
<p>.oito e meia felony sai .daqui anda até o busutubo e não tem canto + sussa no caminho, então é aqui mesmo .rua vazia = moco sorrindo, como hablan .ela vira de costas pra porta reforçada, começa a digitar o sequêncio da tranca .saio mansinho, miro o cabeço, aperto o gatilho .pistoleto felo da puta é modificado e dá tranco e o tiro vai centímetros pra baixo e pega na base do cabeço, soprando sangue, carne e dente na porta .felony se joga pra frente e rola pra dentro do corredor .corro pra não deixar a porta ensanguentada fechar sozinha .enfio o pé bem no estreitinho de luz que vem lá de dentro, empurro e vasculho co pistoleto .pikas da felony .fela da puta</p>
<p>.entro, ouvindo a estáctica elétrica da iluminación no teto .adiante tem um saleto com várias cadeiras vazias e telas ligadas, números e gráficos e em algumas também uns tubos enormitudo com gente dentro, gente colorida, gente com braço ou perna a +, gente com bola saindo da barriga, gente cos ossos tortos, gente que não parece gente .dá nojo .pikas de felony aqui, mas vejo felony numa das telas, ela diante doutra porta digitando algo noutra tranca .tem uma passagem no fim desse saleto em que tô e só pode ser ali que ela se enfiou, o saleto dos tubos .me vejo numa das telas também, e fodeu se não for só circuito interno, tóide vai ficar lóki</p>
<p>.entro pela passagem e ando no saleto entre os tubos, evitando encarar eles, e vejo felony sentada no chão contra a parede, um buraco enorme no rosto comendo parte do nariz e toda a boca por onde pingoteja sangue no colo, a roupa encharcada .karalhos, fiz estrago .me aproximo mas sei que já era .a porta que ela liberou abre e dois bichos aparecem, armados, os rostos mocozados em capacetos escuros .pulo pra trás duns tubos, pensando merda, onde me enfiei</p>
<hr />
<p>Esta é a quarta aventura de berátna. Confira as outras:<br />
<a title="berátna :uno :lar doce lar" href="http://flashfiction.com.br/beratna-uno-lar-doce-lar/" target="_blank">- berátna :uno :lar doce lar</a><br />
<a href="http://flashfiction.com.br/beratna-dos-moco-e-profissa/" title="berátna :dos :moco é profissa" target="_blank">- berátna :dos :moco é profissa</a><br />
<a href="http://flashfiction.com.br/beratna-tri-tempo-na-xilindra/" title="berátna :tri :tempo na xilindra" target="_blank">- berátna :tri :tempo na xilindra</a><br />
<a href="http://flashfiction.com.br/beratna-kuatro-tudo-por-grano/" title="berátna :kuátro :tudo por grano" target="_blank">- berátna :kuátro :tudo por grano</a><br />
<a href="http://flashfiction.com.br/beratna-cinko-criancada-e-zika/" title="berátna :cinko :criançada é zika" target="_blank">- berátna :cinko :criançada é zika</a></p>
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		<title>berátna :tri :tempo na xilindra</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Sep 2017 15:57:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Flash Fiction]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Experimental]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção Científica]]></category>
		<category><![CDATA[Policial]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>.xilindra de complexo b é maravilho .taí o grude mas pelo menos vem, não tem a preocupa de achar que é fome que vai te acabar e não os presos, sempre tem um pra graduar de moco no meio .aí dias que chumbam semanas que chumbam meses e os migué de súbaru quié bom nadica pra me tirar daqui .apodrecendo gostoso .acordei com a mão direita estranhuda e não sentia os dedos mas mexiam e comecei a futricar até tirar a derme sintética e ver que eu tava com uma mão biônica novinha em folha e não fazia a mínima ideia de como tinha conseguido aquilo ou onde tinha ido parar minha mão de carne .moco vai ficando louco mesmo e eu descobri que tava ali por fraude de identidade e karalhos, me fudi e nem sei como</p>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>.xilindra de complexo b é maravilho .taí o grude mas pelo menos vem, não tem a preocupa de achar que é fome que vai te acabar e não os presos, sempre tem um pra graduar de moco no meio .aí dias que chumbam semanas que chumbam meses e os migué de súbaru quié bom nadica pra me tirar daqui .apodrecendo gostoso .acordei com a mão direita estranhuda e não sentia os dedos mas mexiam e comecei a futricar até tirar a derme sintética e ver que eu tava com uma mão biônica novinha em folha e não fazia a mínima ideia de como tinha conseguido aquilo ou onde tinha ido parar minha mão de carne .moco vai ficando louco mesmo e eu descobri que tava ali por fraude de identidade e karalhos, me fudi e nem sei como</p>
<p>.na vera deu até pra fazer uns cúmpas, coisita rarefeita no complexo c, que se há algo é pois que há grano ou buça ou paulengo envolvido, nadica disso aqui no truco .demorei tanto tempo pra descobrir que truco é vida .truco arrefece qualquer um, zika é a aposta, que não tem lá o que vale muito .até o dia que, claro, contam errado o invído ou passam sinal trocado ou gritam flor sem flor, não sei, quiessa hora eu tava longe da brisa, sei que foi gritacero e dali a poco um preso pranchado .aí que os tronxos recolheram o corpo descendo pancudo e no mesmo dia transferiram um preso que tava noutro canto, teve lugar prele bem na minha cela .a gente logo se entendeu, hablando da vida e dos pepinos, josué, primeiro cúmpa do complexo a que tive, e cada coisa que ele conta eu num acredito, viajar pro a agora é meta de vida mesmo .se escafedeu pro b depois de dar jeito de gorar o sistema de arrecadación, esse cúmpa é sagacimonstro, até crime dele é coisa grã-fineza, mas encontraram na mocoza e enfiaram na xilindra</p>
<p>.josué tem uns conhecimentos lóki de+, diz que na escola aprende de tudo, oxi, escola do complexo c crianço vai só pra merenda e não é segredo .ele decide que tem que fazer maria loka, e que a gente tem que sangrar a xilindra, claro, fazeuquê, como dá .arroz, fermentón e docero n’água co cravo num garrafón, lâmpada de panquera do lado .tesourinha sem cabo na tomada pra esquentar no latón e colar o álcool no serpentino, que vira manjarzín caro e gostoso .delícia mesmo, na vera, e os presos pagam desfilando dente .aí que eu e josué tamo na fina até que certo dia um tronxo passa na frente da cela e diz pro josué ¹aí tororó, tua audiência tá chegando, moco</p>
<p>.tororó</p>
<p>.tororó quié que tá me dando</p>
<p>.tororó é coisa que frita os miolos, dormonstra de cabeço, abandono a fabriqueta pra esticar no colchón, ¹josué, segura as pontas aí que vou tirar um breque, ²tranki, cúmpa</p>
<p>.aí que acordo refundido da cachola e tororó é ingresso pra fora daqui .claro que tororó nunca ia falar tororó ou moco desavisado saca .pulo do belicho, mando um barrón e enrolo o cueco bem firme .chego em tororó zzzzzindo e passo o cueco no pescoço e estico .tororó pula, mete a mão na minha fuça, puxo pro chão mas tororó se torce e cai por cima, deslancha um dois três quatro murretos antes que eu dê pernada e faça ele se estabanar no chão e meter o braço no batente de ferro da cama e gritar co osso torto .dois murretos com mão biônica na boca aberta do tororó até sentir o mandibuleto quebrar e balangar e grudo de novo o cueco no pescoço e tororó me empurra, pula, chuta, caio pra trás, tororó tá lokín lokín, ouço os tronxos chegando pelo corredor, tô zikado se moco não pranchar agora, é imperativo moco pranchar, tororó avança, tomo um murreto no peito mas dou murreto no braço quebrado e tororó grita fino igual crianço e dou murreto na garganta descoberta e tororó desequilibra e pego seu cabeço cas duas mãos e dou rasteiro e ele perde de vez o apoio e desço co tudo o cabeço na quina da privada e o osso do crânio estoura e ouço o seco do tampo e do nada algo crava nas costas e eletricza tudo e caio babando do lado do tororó, cúmpa de fabriqueta, único cúmpa de anos agora zikado e pranchado por culpa minha .tronxo entra na cela e ergue botinão e pimba</p>
<p>.na enferma costuram aqui, costuram ali e logo tô zerinho .no corredor tronxo não me leva pras celas, tronxo pega desvio, sai pelo pátio vazio, tora reto até uma das torres, entra, dois tronxos seguram outro homem que nunca vi, preso não é, e um tronxo tira da mochila um aparelhón de tela escura, e segura no rosto do homem, a tela se mexe um monte e bipa, depois ele enfia o treco na minha cara até fazer o mesmo bipo e pega um seringo que sai do aparelho e enfia no pescoço do homem e depois no meu .a gente cai no chão que arde de+, oxi, a cara esquenta e esquenta e derrete e sinto a pele escorrendo e grito e os tronxos tiram a nossa roupa, trocam, vestem de novo .quando para de arder e olho pro homem ele é eu e tá vestido de preso e os tronxos arrastam ele pras celas e eu, vestido co traje refrigerado do malucón, sou levado até a recepción e passo reto pelos sensores e vou quietinho e me jogam pra fora</p>
<p>.o carreto parado abre a porta e tóide forman, meu alvo, tá ali e faz o sinal preu me aprochegar e diz ¹vambora, moco, vambora pra longe dessa xilindra que tu agora tá na fina</p>
<hr />
<p>Esta é a terceira aventura de berátna. Confira as outras:<br />
<a title="berátna :uno :lar doce lar" href="http://flashfiction.com.br/beratna-uno-lar-doce-lar/" target="_blank">- berátna :uno :lar doce lar</a><br />
<a href="http://flashfiction.com.br/beratna-dos-moco-e-profissa/" title="berátna :dos :moco é profissa" target="_blank">- berátna :dos :moco é profissa</a><br />
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		<title>berátna :dos :moco é profissa</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Sep 2017 18:54:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Flash Fiction]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Experimental]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção Científica]]></category>
		<category><![CDATA[Policial]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>.é zika perguntar do serviço então ninguém pergunta .+ que é estranho, isso é .tóide forman, o nome do alvo, um tio bacanín inofensivo na fina, que trabalha num lab perto da usina de negromonte .já vão aí uns dias seguindo o malucón, do trabalho pro comedouro pro trabalho pra casa ca família de sete miudín e companheiro .velhote, cabeleira branca, pancinha de complexo b, que de c pra baixo ninguém esbanja gordura .pisou no calo de quem fazendo o quê, me pergunto, + pra passar o tempo que pra preocupar mesmo, ou eu taria no ganha-pãozin errado</p>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>.é zika perguntar do serviço então ninguém pergunta .+ que é estranho, isso é .tóide forman, o nome do alvo, um tio bacanín inofensivo na fina, que trabalha num lab perto da usina de negromonte .já vão aí uns dias seguindo o malucón, do trabalho pro comedouro pro trabalho pra casa ca família de sete miudín e companheiro .velhote, cabeleira branca, pancinha de complexo b, que de c pra baixo ninguém esbanja gordura .pisou no calo de quem fazendo o quê, me pergunto, + pra passar o tempo que pra preocupar mesmo, ou eu taria no ganha-pãozin errado</p>
<p>.fico na mocoza durante a noite num chino de frente pra entrada do prédio dele .o chino até que é bom, cada vez sinto menos falta do grude do c, queria poder fazer tudoquié serviço pra cá, súbaru bancando a grã-fineza, começando pelo yakissoba de aanssaq que é maravilho .a noite é sempre importante prum moco que é quando o alvo relaxa e é quando os tronxos tão desligados + é também a hora + iluminada, os holos piscando forte e atravessando a rua e o céu, grudados nas paredes, nas barracas, nos carros, no chão .holos pakas de produtos aqui porque povín tem + grano pra torrar, então menos putaria pra encher putería</p>
<p>.nessa noite, depois de várias noites na santapaz, tóide desce do seu horizonte, sai do prédio cum maletón na mão e abre a porta dum carreto auto-dirigível .claro que eu não tô de lezeira e fico com dó de deixar o yaki pela metade .pego o turbiciclo enfiado na rabeira da barraca e saio atrás do carro .as ruas do complexo b são cheias e bem organizadas, que aqui é proibido motora humano. saímos dos barrios centrais do complexo e vamos proutro canto, pra longe do lab, longe do meu espelunco .o carro segue pra perto dos montagais de lixo e o fedor invade a narina cuma ardência cítrica e paramos nalgo que é difícil mesmo de achar, uma área esvaziada de luz e de gente .ele abre a porta, sai do carreto e fica parado no escuro .o carreto passa por mim na volta, eu já co turbiciclo encostado na parede duma construción abandonada</p>
<p>.ando reto na direción dele, que não tem outro jeito de me aproximar, e puxo o pistoleto do bolso, que abocanhou + uma boa parte do grano do súbaru .não dá pra ver pikas que a luz da lua é comida pela fuligem e pela fumaça, então é uma susteza quando a onda pulma me atinge, me empurrando pra trás e fodendo a aderência da roupa refrigerada .sinto ela descolando e as bolhas inflando pelo corpo todo, o ar entrando pelos rasguetos e trazendo a quentura dos 60 graus da noite pra dentro .arranco os pedaços do tecido refrigerado ou viro assado aqui dentro e fico só de cueca .maledeto, penso, seguindo co pistoleto .tóide tá abaixado, mexendo nalgo dentro do maletón</p>
<p>¹.segura a onda, berátna_ele levanta os olhudos pra mim_,não atira, não atira, vamos bater um papo</p>
<p>²?como cê conseguiu a merda dum pulso pulma_.o suor brota dos poros e começa a escorrer e penso em como o malucón sabe meu nome.</p>
<p>¹.não pensa nisso, pensa em como seus órgãos vão colapsar em alguns minutos e em como cê conhece pikas daqui e precisa de mim se quiser voltar vivo pra casa .abaixa o pistoleto .eu não sou o alvo .aqui, coloca esse modulador, é o único jeito deu conversar com usted na fina</p>
<p>.ele tira do maletón dois arcos chipados .a narina arde puxando o mormaço sem o filtro do traje e os nubladores do capacete .o felo da puta tá certo .não vou durar .coloco o modulador no cabeço</p>
<p>¹.pronto, é que é o seguinte, o que vou te dizer tem que ficar embaralhado depois ou vão torrar tua cachola na xilindra.</p>
<p>²?xilindra</p>
<p>¹.calma, berátna .eu que te contratei, moco .tu vieste pra cá fazer um serviço só que o serviço é um pouco + complicado do que dava pra explicar pro súbaru pelo comu .a xilindra é uma necessidade, ?copia .tu vai topar co tororó, que é outro moco, esse do complexo a, e ele precisa pranchar .tranquiliza que uma vez feito isso teu carcaço vai ser içado de lá, sem zika, é só que alguém de fora tem que fazer .lamento + tu não tem muita escolha</p>
<p>²!ha ?que piada é essa de pranchar outro moco na xilindra .se eu faço isso me prancham na sequência ?colé, tóide .sou panaco não</p>
<p>.miro o pistoleto no cabeço dele e puxo o gatilho .o cano do pistoleto implode e a explosão vem de ré, comendo até a metade do antebraço. caio esperneando, o sangue lavando o chão sujo .tóide vem cum seringo e me pica no toco e fecha o maletón</p>
<p>².desculpa, berátna .isso foi uma analgésica .não era pra usted atirar, felo da puta .vou tirar o modulador e tu não vai lembrar de nadica disso .o gatilho é a palavra tororó, aí sim tu vai lembrar, depois que te escanearem .a gente se vê depois que tu empacotar a carga</p>
<p>.tóide sai andando pro negrume de volta pra vida do complexo .o sangue vaza, o osso aparecendo .sinto umas pontadas na barriga, é o pâncreas ou o fígado ou o estômago começando a zikar no calor .a sirene chega mansinha, cada vez + baixa, eu cozinhando nos bagos da terra, morrendo na escuridão ausente dos holos .a ambulância abre as portas, os enfermas abrem um cobertor refrigerado e baixam ele, quero muito sentir o friozín do ._</p>
<hr />
<p>Esta é a segunda aventura de berátna. Confira as outras:<br />
<a title="berátna :uno :lar doce lar" href="http://flashfiction.com.br/beratna-uno-lar-doce-lar/" target="_blank">- berátna :uno :lar doce lar</a><br />
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		<title>berátna :uno :lar doce lar</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Aug 2017 19:56:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Flash Fiction]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Experimental]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção Científica]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>.acordo lambendo os beiços eletriczados na água salina .arranco a máscara e pulo do tanque, tomando uma ducha preta .a roupa cola na pele, resfriando, jumpando a temperatura pra casa dos 30, que é quando os órgãos funfam na fina .na vera eu queria mesmo era noite fresca co vento do mar soprando, quemnumqué, mas isso só nos vídeodomos e pagando caro ainda</p>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>.acordo lambendo os beiços eletriczados na água salina .arranco a máscara e pulo do tanque, tomando uma ducha preta .a roupa cola na pele, resfriando, jumpando a temperatura pra casa dos 30, que é quando os órgãos funfam na fina .na vera eu queria mesmo era noite fresca co vento do mar soprando, quemnumqué, mas isso só nos vídeodomos e pagando caro ainda</p>
<p>.os olhos vão se ajustando à densidade de fuligem e fumaça e passam a filtrar um mínimo pra poder andar sem esbarrar num latón de óleo de lagartixa, demora semanas pra sair o cheiro .o vaguim me aparece mas já não tenho osso pra dar pra ele há muito e aí virou um quem ataca primeiro reina no dia .ele ergue o mandibulinho biônico e acerto um chute antes que ele finque os dentín na canela, não guento + bandeidar os buracos, ele voa longe e cai num montagal de lixo</p>
<p>.karalhos voadores entrando numas buças lambrecadas é o que toma conta do barrio novimundo, mas é o caminho + curto pro escritório e fazeuquê, é o que tem pra hoje, as barracas socadas uma noutra que você suspeita que fritam o macarrón no óleo do pastel de urubu e te vendem como orgânico !HA orgânico</p>
<p>.hoje tem uma pica pulsante jorrando gozo na cara de dois brutamontes na entrada do prédio e afasto o holo e subo as escadarias preguentas, desviando de uns mendigóides caídos sob cobertores, vira e mexe um desses tá morto e começa a feder e só aí tacam fora .súbaru tá fumando um dos seus deltóirutos quando entro na sala, e não pela primeira nem segunda vez tem uma gueixa encaixada nos pés da cadeira sugando suas bolas e dedando seu toba e, claro, o paulengo mole, que súbaru faz o que faz pra conseguir a grana prum paulengo novo, a quadra inteira já dá risada, mas as gueixinhas, porra, claro que querem um graninho inda + se vier facinho</p>
<p>.súbaru falacas bolas dando piruetas na lingueta da gueixinha que o alvo é um homem num horizonte 34 do complexo b .claro que dou risada quando ele habla 34 porque oras todo mundo sabe que 33 é o número cabalistík que regimenteia o limite, e ele ri e diz que idiotice é essa quem te falou isso, no complexo a já tão no horizonte 70 fazhora .fico puto que já tô eu de paulengo duro vendo o esforço da gueixinha e súbaru percebe e me dá de presente antes da missão .a gente desce prum horizonte vazio no prédio e a gueixinha faz festa num saco de paulengo que funfa e fica até feliz, tadinha, ninguém merece o que passam essas pepecas</p>
<p>.a vida no complexo b é um maravilho só que caromonstro, o tronxo da alfândega já fica ca metade do que súbaru deu pra abrir caminho até onde mora o alvo .é longe também, longe do + maravilho limpo do complexo a, onde o bando de afortunado vive só ca brisinha de fuligem, e do resto, que pega as ondas de radiação e daí pra pior .eu + súbaru + os otros mocos dele vivemos no complexo c co muito migué, o custo de vida é altíssimo e quem não pode vai só descendo .alegria da vida é, nesse momento, dar de cara cuma carretinha lóki de cachorro-feio, que é carne de aanssaq (algum-animal-nunca-se-sabe-qual) num pãozin .ai que delícia, não guentava + grude</p>
<p>.pago a diária no primeiro espelunco e corro pro tanque que a roupa tá despregando e quem é maluco de guentar os 70 graus que deixam o ar pesado e o raciocínio lentitudo. mergulho na água salina e enfio a máscara .já tá valendo a viagem que aqui tem hidro, puta merda, jatinho no toba, delícia, que eu demore pakas pra achar esse felo da puta</p>
<hr />
<p>Esta é a primeira aventura de berátna. Confira as outras:<br />
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<a href="http://flashfiction.com.br/beratna-kuatro-tudo-por-grano/" title="berátna :kuátro :tudo por grano" target="_blank">- berátna :kuátro :tudo por grano</a><br />
<a href="http://flashfiction.com.br/beratna-cinko-criancada-e-zika/" title="berátna :cinko :criançada é zika" target="_blank">- berátna :cinko :criançada é zika</a></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>De quem assiste de longe</title>
		<link>http://flashfiction.com.br/de-quem-assiste-de-longe/</link>
		<comments>http://flashfiction.com.br/de-quem-assiste-de-longe/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 25 May 2017 00:00:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Flash Fiction]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Experimental]]></category>
		<category><![CDATA[Mainstream]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Desce o prato, o guincho aumenta.</p>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Desce o prato, o guincho aumenta.</p>
<p>— O que eles tão fazendo reunidos ali, Adalberto?</p>
<p>— Esperando a comida.</p>
<p>— Desde quando você não alimenta eles?</p>
<p>— Acho que uns quatro dias. Mas tão com uma energia danada ainda, tá vendo?</p>
<p style="text-align: center;">#</p>
<p>Desce o prato, o guincho aumenta.</p>
<p>— Ainda alvoroçados desse jeito?</p>
<p>— Resolvi não dar comida pra eles ontem.</p>
<p>— Olha, isso tá ficando perigoso. É melhor se ater à rotina, Adalberto. A fome é imprevisível.</p>
<p>— Haha, olha aqueles ali, tão arrancando o cabelo um do outro pra ficar mais perto do prato.</p>
<p>— Qual a graça nisso?</p>
<p>— Você não passou tempo que chega aqui com eles. Demora pro senso de humor aflorar. Mas é inevitável.</p>
<p>— Esqueceu que eu trabalhei aqui dez anos, antes do seu tempo?</p>
<p>— Sério?</p>
<p>— Claro. Como você acha que virei seu supervisor? Eu lá ia ter cacife pra supervisionar a operação se não conhecesse ela nos mínimos detalhes?</p>
<p>— Não seria novidade em repartição pública nenhuma.</p>
<p>— Fodam-se as repartições públicas. Dá a comida pra eles. Não quero problema por aqui.</p>
<p style="text-align: center;">#</p>
<p>Desce o prato, o guincho aumenta.</p>
<p>— Caralho, Adalberto. Você não alimentou eles ainda?</p>
<p>— Calma, chefia. Tem água lá embaixo. Eles podem aguentar semanas sem comida.</p>
<p>— Podem aguentar sim. Se for necessário. Você andou comendo esses sanduíches aqui na cabine?</p>
<p>— Sim, por quê?</p>
<p>— Porque eles podem te ver. Você deixa eles sem comida e come na frente deles. Excelente ideia.</p>
<p>— Desculpa. É que não aguento mais esse fedor, essa barulheira. Queria fazer eles sofrerem um pouquinho.</p>
<p>— Já passei por coisa parecida, mas consegui me controlar. Lembra que não é sua competência decidir isso. As ordens vêm e você cumpre, apenas. Sei que como fica sozinho com eles quase todas as horas do dia, começa a achar que pode fazer o que bem entende. Mas não é assim.</p>
<p>— Certo. Vou descer o prato. Quer assistir?</p>
<p>— Desde meu último dia usando o seu crachá eu não assisto mais isso. Não tenho estômago. Só faça duma vez.</p>
<p>— Entendido.</p>
<p style="text-align: center;">#</p>
<p>O prato vazio.</p>
<p>— Me ouviu, finalmente.</p>
<p>— Foi o jeito. Mas não foi bonito.</p>
<p>— Ah, com certeza não. Saldo de mortos?</p>
<p>— Uns 20. Pisoteados. Depois daquele tempo, um prato não foi suficiente pra saciar a fome de todos.</p>
<p>— Claro que não foi. E não vai colocar mais comida no prato?</p>
<p>— Olha pra eles. Se não coloco comida, não se manifestam, ficam letárgicos.</p>
<p>— Claro, não são assim tão burros. Precisam ver a comida pra querer a comida.</p>
<p style="text-align: center;">#</p>
<p>O prato ainda vazio.</p>
<p>— Adalberto, lamento te informar, mas estamos passando por uma reestruturação nesses tempos de crise. Você foi despedido. Só fiquei sabendo hoje dos cortes. Lamento mesmo.</p>
<p>— Foi por que eu fiz esses experimentos nos últimos dias, não foi?</p>
<p>— Pode ter certeza que não. É um problema financeiro, gerencial, administrativo. Além dos benefícios previstos, será providenciada uma carta de recomendação.</p>
<p>— Bom, pelo menos isso.</p>
<p>— Agradeço seu profissionalismo e compreensão.</p>
<p>Adalberto desce as escadarias laterais do grande tanque. Se junta aos outros, olhando a face inferior do prato, suspenso muito acima da sua cabeça.</p>
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		<title>Solidão Desabrocha Paralelismos Ainda Não Estudados</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Nov 2016 10:00:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Flash Fiction]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Experimental]]></category>
		<category><![CDATA[Realismo Fantástico]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Acorda muito cedo. Se arruma, faz o café da manhã na cozinha, prepara o suco de laranja e volta pro quarto. Ergue o colchão, se equilibra no primeiro degrau segurando a travessa, desce lentamente até o fundo e abre a porta do quarto. Deixa o café da manhã preparado na mesa de canto e parte pro trabalho.</p>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Acorda muito cedo. Se arruma, faz o café da manhã na cozinha, prepara o suco de laranja e volta pro quarto. Ergue o colchão, se equilibra no primeiro degrau segurando a travessa, desce lentamente até o fundo e abre a porta do quarto. Deixa o café da manhã preparado na mesa de canto e parte pro trabalho.</p>
<p>Acorda, senta-se à mesa de canto e toma o café da manhã. Se arruma, pega o terno estendido no varal da lavação, passa-o sobre a tábua de madeira, pendura num cabide e volta pro quarto. Abre a porta, sobe a escada, sai de dentro da cama com o colchão erguido, deixa a travessa com a comida e o suco na mesinha de canto, pendura o cabide na porta do armário e parte pro trabalho.</p>
<p>Acorda tarde, se arruma, sai pela janela e entra pela outra janela do quarto. Come os restos frios do café da manhã na mesinha de canto, toma o último gole do suco de laranja, lava a louça na cozinha e a deposita no escorredor. Volta pro quarto, veste o terno passado e parte pro trabalho.</p>
<p>Volta pra casa bem cedo, faz o jantar em quantidade exagerada, deixa dentro do forno, toma banho e lê As aventuras de Gulliver no sofá da sala enquanto espera a fome chegar. Quando a geladeira está vazia, compra um litro de leite, laranjas, um garrafão de água e cervejas no mercadinho da rua. Mas há muito não fica vazia.</p>
<p>Volta pra casa no horário de pico. Chega estressado, anda na esteira pra despoluir a cabeça, toma um banho, abre a porta do quarto, sobe a escada e sai pelo buraco da cama. Deita o colchão, liga a TV e assiste novela até a fome chegar. Uma vez por semana compra bebidas no mercadinho da rua. Hoje não é dia.</p>
<p>Volta tarde porque chega tarde, fuma um cigarro na varanda, coloca a roupa na máquina e a deixa com a tampa aberta pra juntar às outras. Toma um banho demorado, ouvindo o rádio, e só sai quando sente o estômago roncar de fome. Se arruma, sai pela janela e entra pela outra janela do quarto, se vê assistindo TV na cama, se convida pra janta, ambos saem pela casa até a sala, onde se veem lendo um livro, e então se sentam à mesa pra degustar o prato da noite.</p>
<p>Obviamente, um lava, outro seca e outro guarda a louça, e então se despedem, que é bom ter alguém pra se despedir antes de deitar, e pensam que três é mesmo um bom número, superior a qualquer outro.</p>
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