Eriatarka

Ninguém veio.

As vozes voltaram a reverberar, agora entrecruzadas, roucas. Eram balidos, latidos. A escuridão e a segurança do submarino se liquefizeram e deram lugar aos contornos cada vez mais aparentes do teto com uma lâmpada oculta por um plástico fosco. Cerpin aos poucos recobrou o controle do pescoço. Piscou, olhando os arredores. Havia ao seu lado um cirurgião com jaleco branco e ...

 

A embriaguez dos faróis

Cerpin andou pelo deserto até chegar na praia. Sentou numa elevação rochosa na orla e enquanto o céu escurecia encarou o horizonte aquoso. Toda vez que fechava os olhos ouvia vozes desconexas discutindo algo de maneira acirrada. Não entendia o que falavam. Caso se concentrasse elas silenciavam, percebiam alguém à espreita tentando desvendar suas maquinações.

Não seria boa ideia passar...

 

Junção exoesquelética da ferrovia

Cerpin ainda sentia a morfina correndo no sangue. Lembrava de mastigar bolinhas pretas e de buscar refúgio nas páginas de um livro.

Empurrou a tampa do cockpit, amebas gigantes pulsando em toda a extensão, expurgando o ar venenoso da viagem. As aranhas se desentrelaçaram, desfazendo a camada do assento, afundando-o na estrutura óssea, vértebra primordial que o acolhera. Sentiu algo escala...

 

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