Assessoria

  • 13 de agosto de 2015
  • Categoria: Sem categoria

Aí, mermão, uma vez que tu entra na onda a roda não para, saca? Nunca para. As cocotas não param, o pó não para, o uísque não para, o pico não para, as câmeras não param, nego hashtagueia tudo pra não parar quando cê tá ficando por baixo, saca?

O lance é tá na rotatividade. Não importa o motivo. Se precisar cê abre a porta do vizinho e entra descendo porrada. Depois cê explica na TV que ele deixava o som comendo solto e te deixava insano, ou que a aura dele era tão opressiva que cê precisava fazer alguma coisa. Não importa o motivo, importa você na TV de topete erguido, maquiado, sorrisão fulgurante, saca?

Daí pra frente as coisas abrem, mermão. Os olheiros dessas empresonas vêm jogando grana nos teus pés, saca? Vêm pedindo pra você usar o chinelo deles, barbear com a lâmina deles, tomar a vodka deles, passar o perfume deles, usar a cueca deles, comer a carne deles, dirigir o carro deles, tomar a cerveja deles. E tudo cabe. Se cabe no teu bolso cabe na agenda, e o bolso tá sempre furado, saca?

Só não faz a besteira de dar pitaco. Pode rolar num desses programas de auditório, se o apresentador der uma de espertinho. Sua opinião sobre o clima político, os impostos, a polícia, a desigualdade. Pelo amor de Deus, isso lá é preocupação sua, mermão? Sobra tempo entre a academia, o bronzeamento, o açaí e as gravações pra se preocupar com isso? Resposta genérica, saca? Essa é a receita. Nego inconveniente fica de escanteio. Cê quer virar ídolo duns quebrados que gastam tempo protestando ao invés de bombando a tua imagem na net? Faz as contas.

A receita do sucesso, mermão, é um equilíbrio delicado entre as variáveis que você pode controlar e uma sorte lascada naquelas que não pode. Se, por exemplo, um prédio desaba na esquina e você, por sorte, tá ali perto e, por sorte, ouve gemidos sob os escombros e, por sorte, descobre que sozinho consegue remover os escombros e, por sorte, descobre ali embaixo uma velhinha fotogênica ou uma criança indefesa e, por sorte, alguém ali perto tira uma foto de você erguendo ela no colo contra o céu esfumaçado e, por sorte, divulga essa foto e ela corre o mundo estampando você de novo herói nacional, bem, esse é justamente o tipo de coisa que cê não pode controlar, saca?

A gente entra aí, mermão. O que foge do teu controle não foge do nosso. Quando cê se lança nessa carreira tem que apostar todas as fichas. E a gente é tipo a fábrica de fliperamas, saca? Eu sei que é demais pra absorver assim, numa tacada só. Mas pensa com calma. Toma meu cartão, tem meu telefone, meu e-mail e o resto dos contatos. Tenho certeza que vamos fechar um negócio bacana. Eu posso sentir, mermão, já coloquei tanta gente pra dentro que desenvolvi um tino apurado, saca? Cê tem talento de sobra e aquela estrela brilhante nas costas. Cê vai longe.