Danoninho não mata a fome

Maicon correu de um lado da cozinha pro outro, escapando das unhas compridas da mãe, passando por baixo da mesa e se enfiando no fundinho entre geladeira e parede. A mãe correu atrás, meteu a mão pelo buraco, unhou o braço do menino de tudo que era jeito. Sangue correu. Na sala, a irmãzinha de dois anos chorava.

Sai daí, seu demônio, sai daí, seu pilantra, sai daí, dizia a mãe, os ol...

 

Cavalo sem ferradura morre novo

O que Lourenço queria mesmo era abrir o zíper da calça, esticar os pés noutra cadeira e deixar a cerveja escorrer pela boca e trincar a goela. Mas não. Júnio tinha os dois cotovelos apoiados no outro lado da mesa amarela da Crystal, as mãos enfiadas nas bochechas segurando o peso da cabeça, os olhos fixos nas peças. O pessoal fechava um círculo ao redor, encurralando sobretudo o calor. L...

 

Da permanência da terra

O primeiro serviço de Rúbio para a construtora Mariny foi avaliar o terreno aos pés de um antigo edifício de nove andares no centro de São Paulo, na região da Sé. Vários incidentes confluíram para jogar seu preço lá embaixo, nos estertores da tabela imobiliária, incluindo arranca-rabos entre moradores que tornaram rotineira a visita da polícia, desabamentos no último andar, locatári...

 

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