Danoninho não mata a fome

Maicon correu de um lado da cozinha pro outro, escapando das unhas compridas da mãe, passando por baixo da mesa e se enfiando no fundinho entre geladeira e parede. A mãe correu atrás, meteu a mão pelo buraco, unhou o braço do menino de tudo que era jeito. Sangue correu. Na sala, a irmãzinha de dois anos chorava.

Sai daí, seu demônio, sai daí, seu pilantra, sai daí, dizia a mãe, os ol...

 

Cavalo sem ferradura morre novo

O que Lourenço queria mesmo era abrir o zíper da calça, esticar os pés noutra cadeira e deixar a cerveja escorrer pela boca e trincar a goela. Mas não. Júnio tinha os dois cotovelos apoiados no outro lado da mesa amarela da Crystal, as mãos enfiadas nas bochechas segurando o peso da cabeça, os olhos fixos nas peças. O pessoal fechava um círculo ao redor, encurralando sobretudo o calor. L...

 

Das formas de gestar um livro

Senta aí, Roberval, puxa a cadeira. Que bom que você apareceu, eu tava ficando preocupado. Desculpa atrapalhar os planos com a família. É, eu sei, você comentou, aniversário da sobrinha. Mas agorinha você volta pra lá. Deixa eu só te contar essa coisa que tá trancando a garganta aqui e tá liberado. Quer um copo?

Então, o negócio é o seguinte. Escrevi um livro. É, outro. Mas nesse...

 

« Carregar mais posts