Um álbum com seis sobrenomes

Olha, Mariana. É Mariana, né?

Marina, dona Inês.

Marina, isso. Então. Acho que foi o contrário. Na verdade eu amei foi demais. Só que vem a vida, sabe, fazendo aquelas curvas fechadas. Também ajuda que nos antigamentes, casar era regra. Era o normal a se fazer se você se enrabichava com homem. Não era essa facilidade que é hoje não.

Será que a senhora pode me contar como foi c...

 

Certas histórias se resolvem assim, do nada

Pego o Oleg, fumando um cigarro na escadaria da varanda de casa. Ele traz duas latas de refri.

— Salve, Oleg — digo. — Valeu.

— Tranquilo. Fui no mercado hoje cedo. Tô fofo.

— Cara, cê vai ter que me descolar um trampo massa desse. Tô sempre duro.

— Ninguém mandou virar escritor.

Ele liga naquela rádio comunitária que ainda resiste, do CPA. Tá rolando um The Doors...

 

As muitas vidas do açougue do caolho

Se você passa na Rua Tolentino de Almeida à tarde, num dia ensolarado e com pouco movimento no açougue, você vê através do vidro da fachada o Ronaldo, um homem de cabelos curtos e uma barriga nos estágios iniciais do avantajamento sentado em seu banco, atrás do refrigerador de embutidos, olhando fixo pro outro lado da loja. Pelo ângulo talvez não seja possível identificar o que ele olha...

 

« Carregar mais posts