As muitas vidas do açougue do caolho

Se você passa na Rua Tolentino de Almeida à tarde, num dia ensolarado e com pouco movimento no açougue, você vê através do vidro da fachada o Ronaldo, um homem de cabelos curtos e uma barriga nos estágios iniciais do avantajamento sentado em seu banco, atrás do refrigerador de embutidos, olhando fixo pro outro lado da loja. Pelo ângulo talvez não seja possível identificar o que ele olha...

 

A chegada do cachimbo encerado

Estranhei que não tinha nada na mesa. Nem café, nem pão, nem o pote de manteiga. A mãe costumava acordar cedo, comer sozinha e deixar tudo ali pronto. Quando eu acordava pra escola, Piozinho continuava dormindo, ele só ia pra escola no outro ano. Então eu passava no quarto deles, onde papai ficava deitado, há meses assim, e beijava ele no rosto antes de sentar pra comer. Minha mãe embrulha...

 

O tio fãzaço da melhor fase dos mutantes

A bike tremulava no asfalto ferrado da rua de casa, passando nos fundos da locadora, em frente a uma ótica e a uma loja na baixada dum terreno, um caixote de cimento com uma janelinha no meio que abria as lâminas estreitas bem pouco. Atrás dela ficava um senhor japonês, que quando já não tava plantado ali respondia às palmas ou a um Epa! Lembro de comprar coisas como tesoura, cola, papel, c...

 

« Carregar mais posts