Bifurcação [#05]

Quando percebeu já tinha chegado lá.

O tempo passara, envelhecera, e chegara à bifurcação na estrada. Não era a primeira delas; não era marinheiro de primeira viagem. Mas era a primeira que realmente importava, aquela que desembocava em caminhos que davam em lugares completamente diferentes. Sul ou norte.

E o tempo continuaria passando depois que escolhesse a trilha, e novas bifurcações viriam, levando-o cada vez mais longe, até o momento que voltar a esta primeira bifurcação não seria mais possível. Talvez estivesse velho demais para voltar. Talvez o mato a escondesse para nunca mais ser encontrada. Talvez os amigos que fizesse pelo caminho o convencessem a ficar.

O momento era crucial para definir o que viria em seguida, pelo tempo que lhe restasse, e não havia placa alguma para indicar a distância, ou viajante para ministrar conselhos. Se bem que sempre ignorara conselhos. Achava que sua vida pertencia somente a ele. A sabedoria de quem não sabe nada.

Depois de ponderar por alguns minutos, ergueu a cabeça e escolheu o sul. Não pensou no fim, no que encontraria quando acabasse, mas no que veria pelo caminho, e conheceria, e aprenderia, e na pessoa que se tornaria quando a velhice chegasse. Aquele parecia o melhor caminho. No momento, pelo menos.

No segundo passo já se arrependera, mas seguiu firme, tentando manter a cabeça ocupada. Nos anos seguintes, nos momentos de calmaria e nas noites sem sono, considerava o que teria acontecido caso tivesse decidido diferente naquele dia distante.

E pensava: haveria outra forma? Haveria maneira de viver sem ser assombrado pelas próprias escolhas?

No fim já não importava. O tempo passara. O fim chegara. E suas divagações foram consideradas pequenas demais, e se acabaram com o último suspiro.