Dos buracos da estrada de chão

O filho no carro. A cabeça no colo do pai. A cabeça do pai virada pra janela, pra fora, o chão atapetado de grama até a árvore, pouco visível, só o farol do carro iluminando a estrada. O tronco grosso, os dois homens de terno e chapéu, e entre os pontapés e bicudas, no chão, outro homem, resfolegando, cuspindo.

A cabeça do filho mexe. O pai faz cafuné. Um dos homens de chapéu se ap...

 

Dos cadarços desamarrados

Ajudo a segurar o Valmar pelos pés, enquanto Morro segura os braços e o genro do Morro enfia uma pinça enorme de ferro na barriga dele, cavucando pra pegar a bala. Os gritos são abafados pelo pano enfiado na boca do coitado, branco de tanto perder sangue, suando frio, o cabelo encharcado. Fora, os homens andam de um lado pro outro da rua, porque sabem que estamos escondidos em uma das casas. S...

 

Do abrigo antigo da água

Ouviu isso, Januário?

Pararam. O vento ciscando nas folhas. Um pio ou outro. As solas das botas pranchando a terra, os ramos. As respirações atravessadas.

Ouvi nada não, Ed.

Parecia um grito. Mas longe. Será que um dos índios se machucou, topou com cobra?

Sei não. Continua. A gente tem que chegar no rio.

Não havia trilha. Havia um caminho de mato alto por entre as árvores, ...

 

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