Companheiro

  • 12 de março de 2015
  • Categoria: Sem categoria

Não. Por favor, não. Não agora. Não hoje. As coisas melhoram. A vida é assim, não é? Altos e baixos. Eu sei que só sobrou a mochila. Que tudo que você tem tá dentro dela. Mas vai me dizer que é melhor o nada a isso. Olha lá a onda. É isso mesmo? Água gelada, areia dura, espuma e alga e peixe é melhor que aquele monte de gente quente pronta pra te abraçar? Me ouve, me ouve, vai. Eu vivo com muito menos que você. Nem essa mochila eu tenho. Pensa em mim, pelo menos. Desde que você me deu aquele pedaço de pão na rodoviária sou seu melhor amigo. Eu sei lamber, ó? Viu? Minha língua é quente. Se você sentir frio eu te esquento um pouco. Nem que seja só um dedo. Aí com esse dedo você faz cafuné na minha cabeça. É só disso que eu preciso. Já durmo feliz. Não tira a roupa. Tá frio, olha o vento. Para com isso. Me escuta, por favor. Será que preciso te morder? Não, não vai. Ai, que água gelada. Brrr. Para. Volta. Aqui eu não dou pé. Ei! Tá me ouvindo? Volta. Não me deixa aqui só com a mochila e a roupa. Eu vou te esperar, tá? Se você mudar de ideia eu tô aqui. Não deixo ninguém chegar perto das suas coisas. Vou guardar pra você. Não vai muito longe que depois não dá pra voltar. Ok? Volta. Por favor, volta.