Fessor, sou tua [#140]

  • 30 de junho de 2014
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Aquela musa se derrete na minha frente, escorrendo pelas pernas abertas o que eu sorvo com a ponta da língua, com o meio, com os dentes fincados nos pelinhos dourados arrepiados na barba desfeita roçando e subindo, um carinho atrás do joelho, uma risada inocente, inesperada, calada com a língua e um dedo nas dunas inchadas, entrando e acolhido da dor do mundo.

Eu a jogo na cama, como somos forçados a fazer pelo animal que se esconde atrás da pele, aperto a bunda, encho a palma, sopro no ouvido e sinto um tremor ligeiro se espalhar pela cintura. Ela tateia minha barriga, desce o ventre, acha e aperta forte, suspirando, pedindo, ordenando.

Acordo. Ela dorme no seu canto, a respiração leve, os peitos descobertos subindo e descendo. O cabelo desarrumado na testa, um braço sob o travesseiro, pernas abertas e dobradas. Minha. Só minha. Pego o celular, tiro uma, duas, três. Cutuco de leve, ela vira de lado, a visão aberta das rechonchudas carnes boas de apertar, e mais uma, duas, três. Quando enfim acorda, passando o xampu no chuveiro, me colo na quina da porta, tiro uma, duas, três daquela perfeição, do coração aparado, dos prazeres que consumi bêbado na noite anterior.

Quando a aula começa ela abre as pernas e eu enrubesço, confundo Marco Antônio com Julio César e lembro da putaria da Roma antiga e sou obrigado a sentar pra esconder o inchaço que quer explodir a braguilha e rastejar até aquela buceta quente e se enfiar ali e adormecer e acordar molhado e esgotado.

No estacionamento, a porta do carro aberta, ela me chama, não pelo nome, por professor, e quero chupar seus peitos e aperto a chave, ansioso. Digo não dá mais, Marina. Ou vou ser demitido. E dez anos de mestrado e doutorado e viagens gastos pra chegar aqui, pra ocupar essa cadeira, e não haveria como explicar nós dois, entende, e você é nova, linda, não vai ter problema pra arranjar um cara legal da sua idade. E ela sorri como quem ri da minha expectativa de que ficasse triste, danada, provavelmente esperando outro macho de pau duro na esquina, já pronta, me provocando, e entrega um beijo molhado na bochecha e sai, levita.

E eu entro no carro, entro em casa, sento na cama, passo as fotos no celular uma, duas, três vezes e digo Meu Deus, não tem jeito, vou perder o emprego.