Questionário sobre um tópico latente

Marolinha. Você de biquíni novo. Nunca tinha visto o mar. Jacaré, surfar com o corpo. Primeira onda, altura do umbigo, cambalhota, bicos dos seios desmascarados apontando os picolés na areia, sal na goela, salva-vidas, salva-vidas, tô aqui.

Sacada. Carros lá embaixo descortinando as paredes na curva com os faróis, entrecortados pela grade de náilon que te impede numa noite de bebedeira, sem querer, os pés esticados na muretinha, almofada nas costas, cerva num copo empoçado, livro na mão.

Rosto. Mãos pequenas, pulso fino, dedos curtos. Nunca esconderam, não vai ser agora. O sangue decola do descolado da unha, armário carrasco, eu no chão, você também, preocupação já nula do episódio recorrente, te perdoo, meu riso um silvo entre os dentes.

Tuntz-tuntz. Pulsando no tímpano. Eu só fazendo a fita pra acompanhar um bródi. Mas você chapa, estrebucha na pista igual um animal agonizante, dá game-over no banco traseiro, as fichas do bródi só acabam no outro dia na hora do almoço. A gente dorme pela segunda vez ouvindo o tuntz, um eco, na cama, estômago ruim, boca seca, uma mão na outra.

Sempre. Começa com um rebuliço do dedo na base da nuca, no meio do filme. O rebuliço afunda e sobe, raiz do cabelo, cima e baixo. Paciente, você espera uns segundos quando o filme tá bom. Quando tá ruim sussurra “mor” e a gente sempre, sempre esquece de apertar o pause.

Bastante. Super feliz. Mesmo. Você sempre lutou tanto por isso. Pena que o Japão é tão longe.