Raiane

Vodka, cachaça e uísque e Raiane pisa fundo e nem ligamos pro cabelo esvoaçante que dá nó e uma trabalheira pra arrumar depois e retraímos o teto conversível e outro carro esporte com dois bombados de topetinho de gel ficam mexendo com a gente e Raiane vira numa entrada no acostamento e seguem a gente por quase um quilômetro e paramos e gim, bacardi e tequila e eles chegam cheios de piadinhas e Raiane já arranca a calça de um deles e o outro aperta os meus seios e comem a gente em cima das latarias ferventes, cospem no chão e vão embora.

Vinho, saquê e caipirinha e entramos na conveniência com a pistola que Raiane achou no porta-luvas dos bombados quando um deles pegava ela de quatro com a bundona de fora no banco do motorista e rendemos o vovozinho que tá ali no caixa mas ele fica tão assustado que a Raiane acalma ele com uma punhetinha e o velho fica louco e aguardente, champanhe e cerveja eu entro na onda porque o velho pode morrer a qualquer hora e o que custa realizar o sonho dele e o velho come duas modelos boazudas e fica todo risonho quando pegamos o dinheiro do caixa e da carteira dele e uma pá de comida e jogamos no porta-malas.

Licor, rum e absinto e entramos na cidade como as rainhas que somos e paramos no bar mais chique e descemos e sentamos e não demora um minuto chegam os tiozões de caminhonete e camisa de botão e bota de bico fino e corrente de ouro estufada no peito cabeludo e dali vamos pro motel e Raiane e eu ficamos no mesmo quarto com três e martini, jägermeister e caipiroska e na hora que eu tô levando dos três de uma só vez Raiane enfia um travesseiro na ponta da pistola e pega os três a queima-roupa e a gente rouba tudo o que eles têm e vamos embora rindo pra burro.

Cataia, catuaba e ginjinha e paramos na orla da praia e ficamos falando da hora em que juntarmos todo o dinheiro e do silicone na bunda e no peito e na coxa e das lipos e do botox nos lábios e nas maçãs do rosto e da remoção das últimas costelas e da cinturinha fina e das capas de revistas e das propagandas e dos iates e jatos e jogadores de futebol e martini, bloody mary e sex on the beach e a gente se pega na areia e fodemos gostoso no mar e ficamos observando as estrelas uma com a mão na outra e cada gozo é uma estrela e só depois de várias constelações acabamos dormindo.

Café, guaraná ralado e cocaína e voltamos pra estrada e Raiane toca prum restaurante de posto de gasolina pra gente comer omelete e misto quente que chega de bolacha e salgadinho que rainhas comem comida decente e a gente senta e pede e no banheiro cocaína, cocaína e cocaína e a gente sai tropeçando rindo à toa e uma viatura para do lado de fora e dois policiais entram olhando nos nossos olhos e Raiane saca a pistola mas tá tão eletrizada que deixa a pistola cair e sai engatinhando atrás dela e rendem a gente e nos colocam atrás da viatura.

Não conseguimos convencer os policiais a fazer nada Raiane só grita boquete boquete boquete e acabamos na delegacia e somos fichadas e Raiane fica gritando como uma desvairada e peço pra ela manter a calma e ela quer chupar todos os policiais pra sair daqui ela não vai guentar a vida presa não vai guentar a vida sendo esposinha de outras presas e começo a rezar pela primeira vez em anos e penso por que essa vadia matou aqueles três fazendeiros tava na cara que ia dar merda e agora a gente se fodeu e não adianta dar a bunda que não vai dar em nada e na salinha de interrogatório o policial senta e coloca um copo de café quente na minha frente e eu choro e me descabelo e abraço Raiane e grito cadê o café da Raiane e o policial diz que não há nenhuma Raiane ali só eu.