Molho de tomate não é a mesma coisa quando você compra pronto no mercado. Nunca é. Nada como comprar os tomates vermelhinhos na feira do Universitário sexta à noite, salsa, pimenta, cebola. Nada como tirar a casca, as sementes, picar, jogar na panela, cozinhar no fogo baixo até os pedacinhos derreterem, cortar a cebola, misturar os temperos, mexer, mexer, jogar na palma da mão, lamber, ace...
Minha mãe nutria um receio por demais de grande de encontrar meu pai garrado noutra mulher. Ao contrário de outras casas, onde o homem saía pra labutar comida, era ela quem saía pra faxinar as mansões do centro. Meu pai ficava, sentindo troçado com um garrote na garganta, os pulmões cheios como bexiga de água, ele dizia, que ar entrava só no cantinho que cabia, e era por isso que não cor...
Acordou tarde e quando desceu as mesas já tavam postas, seu Batista ali, na pontinha, escondido do mundo nos óclinhos escuros, bebericando a cerveja em goles calculados que era pra garrafa durar a tarde toda. Deu oi pra mãe limpando a chapa e pro pai atrás do caixa, seu Batista acenou, se aprumando na cadeira (ele sempre se aprumava quando ela aparecia). Pegou o balde, o pano, o rodo e os mate...