Das excursões da memória

A van estaciona na frente do camelô, em uma vaga apertada que faz raspar as calotas nas tartarugas. O guia desce, abre a porta, o grupo vai saindo aos poucos. Alguns usam chapéu de aba larga, vários usam óculos de sol, uma senhora abre o protetor solar e passa nos braços. Ele anda até o semáforo e aguarda o verde da faixa de pedestres. Atravessam. No elevado da Prainha que é a espinha da a...

 

Dos nomes que damos aos filhos

Doriana odiava seu nome porque era nome de manteiga. Ficava pensando se na época que nasceu já existia a manteiga e se a mãe tirou dali, ou de um filme, ou de um livro, ou de uma amiga ou tia distante, mas nunca perguntou, que fazia parte do mistério de como ela tinha surgido e de como tinha surgido aquilo, o nome, que definia quem você seria e como reagiria a certas coisas. Todo mundo na esc...

 

A balada do óleo de soja

Já tá saindo aí, Márcia?

Já, já, seu Robson. Um minutinho.

Na gordura as minúsculas coxinhas e bolinhas de queijo e quibes e pastéis vão ganhando cor, consistência. O cheiro é sufocante, dane-se a touca e o avental. É coisa que sempre penetra nas grutas da pele.

Todo dia compro um cigarro, um só, na distribuidora perto de casa, e deixo pra fumar entre o encerramento dos pedid...

 

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