Baldo e a sola furada

Baldo se abaixou, deitando a palma da mão na terra.

É, tá quente, seu Ferreira. Não te falei? É essa terra amaldiçoada. Sabe, o senhor pode não tá tão longe da verdade. Cadê o seu filho?

O homem foi buscar o filho na casa. O garoto veio, apoiado em duas muletas, um dos pés enfaixado. Baldo observou a palidez do moleque, usando um macacão sem camisa por baixo, todo suado. Me conta...

 

Da manufatura de caixões geometricamente improváveis

Depois que a cratera surgiu, não demorou pro povo começar a descer por umas escadarias escavadas na face das rochas e voltar com asas, escamas, duas cabeças.

A coisa pegou.

Menos pra nós.

Minha família ficou conhecida por honrar a ordem natural da vida, e de nossos antepassados até hoje seguimos incólumes, a linhagem livre de metamorfoses. Nos tornamos os únicos, isolados no centr...

 

Dança espiralada das folhas em profusão

Grama boa de pisar, ela intui, sentindo o gelado da terra sob as solas, as lâminas fofas passeando entre os dedos. Os cachos na nuca balançam, e os dedos se abrem e fecham no ar, querendo capturar o vento. Uma borboleta, um revoluto em ziguezague diante dos olhos e então sobre o ombro e pra trás, e os olhos seguem.

Aqui, filha, aqui.

A voz a traz de volta num rodopio. O desequilíbrio, a...

 

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