Da alta periculosidade dos pactos

Dá pra saber quando ele tá chegando. Porque o gato se esconde embaixo do sofá. É o único momento em que o gato faz isso, de outro modo sempre tão valente. Mas eu entendo. Eu faria o mesmo se fosse ele.

Deixo a porta aberta. Heylel sai do elevador e abre a garrafa de uísque na mesa. Serve uma dose, bebe, senta ao meu lado no sofá. Pronto?, ele diz. Pronto, respondo, uma bola na garganta....

 

Do Adestramento Útil Dos Vizinhos

Tinhosa, abrindo caminho pelo túnel carnoso, sebento, oito patas roçando os pelinhos da cavidade, pregando no lóbulo, descendo o pescoço e a camiseta até a manga, o braço frio, o dedo esticado na mesa. Ela para na superfície ranhurada, olha pros lados. Se prega na face inferior do prato, escala até a borda, anda por cima. As patas querem grudar no melado. Se aproxima do bolo, estica a boca...

 

De Quem Canta Sem Voz

Garroada. Que Marinho ameaçava toda vez que encaçupava uns cinco dedos de uísque, ou uns cinco dedos da marvada, que não era sempre que o peso daquele se agarrava às costuras do bolso.

Em verdade, bem queria Lucinha que Marinho continuasse encaçupando, e queria mesmo o demônio encaçupado até que cólera transbordasse. Que garroada seria atestado de tentatudo até as últimas forças, d...

 

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