Chegou cantando pneu. Ela saiu secando as mãos numa toalha de pano, avental de cozinha sujo, nem esperou ela abrir o portão, pegou suas mãos úmidas, disse Desculpa e pediu pra entrar. Ali, aos olhos de todo mundo na rua, sabia que apelava pra única coisa que restava apelar, a vergonha que ela não gostava de sentir na frente dos outros.
Entrou, foi direto na cozinha, tomou um copão de ág...
Minha vó olha pra mim. Os braços abertos, camiseta florida de tecido liso que eu lembro ser sempre frio ao toque. As unhas pintadas de vermelho. Um colar dourado com um pingente de coração, nas costas as iniciais dos filhos e dos netos, uma fileira de letras que dizia qualquer coisa em qualquer língua.
Foi um almoço de domingo na casa dela, daqueles em que fazia frango assado recheado com...
Tomé tem dois reais no bolso.
Senta na garupa do mototáxi. Sobe a Avenida do CPA até o Shopping Pantanal. Desce depois do ponto de ônibus, entrega o capacete, finge que vai pegar a carteira, sai correndo, vira na entrada e dispara rampa abaixo. O taxista não segue, não vai deixar a moto solta por uma corrida de 10 pilas. Tomé ouve os xingamentos. Rodeia o shopping pelo estacionamento, en...