Em Busca de Abrigo

Segura a cabeça que lhe entregaram. Alisa o cabelo como quem espreme os dedos diante do pai antes de confessar a irmã com o joelho quebrado no fundo do poço, era brincadeira, ela me empurrou, eu empurrei ela e. Tabefe.

Ergue a cabeça pros homens ao seu redor. Eles espremem os olhos, abrem a boca e se curvam, colando as testas no chão, colando as costelas salteadas uma a uma no chão, enver...

 

Poesia de Boteco Mora na Porta do Banheiro

Acordou tarde e quando desceu as mesas já tavam postas, seu Batista ali, na pontinha, escondido do mundo nos óclinhos escuros, bebericando a cerveja em goles calculados que era pra garrafa durar a tarde toda. Deu oi pra mãe limpando a chapa e pro pai atrás do caixa, seu Batista acenou, se aprumando na cadeira (ele sempre se aprumava quando ela aparecia). Pegou o balde, o pano, o rodo e os mate...

 

Das desvantagens de fazer sempre o mesmo caminho pra escola

Jono, cê tá me ouvindo? Jono? Jono?

Esse guri só dorme. Pego a mochila, encho com as barrinhas de cereais, uma barra de Diamante Negro, uma garrafa de guaraná 600, amendoim sabor churrasco. Checo se eu baixei mesmo o último álbum do Nação Zumbi no cel. Barbante, arame, um punhado de elásticos de dinheiro, uns clipes.

Jono? Acorda, poxa. Cutuco ele. Abre um olho só.

Fala, Andrea....

 

« Carregar mais postsPosts mais recentes »