Vontade é coisa mambembe

Sempre que passava um circo pela cidade lá tava o seu Valdivo pendurado na grade, a silhueta da roupa dele recortada pelas luzes coloridas, as costas bem retas, a cabeça de um lado pro outro, seu fiel hipopótamo parado do lado, olhando pra dentro também. Os dois largavam a carroça empinada no chão e respiravam aquilo, mergulhavam os olhos naquela atividade barulhenta e viva do circo, de long...

 

A balada do óleo de soja

Já tá saindo aí, Márcia?

Já, já, seu Robson. Um minutinho.

Na gordura as minúsculas coxinhas e bolinhas de queijo e quibes e pastéis vão ganhando cor, consistência. O cheiro é sufocante, dane-se a touca e o avental. É coisa que sempre penetra nas grutas da pele.

Todo dia compro um cigarro, um só, na distribuidora perto de casa, e deixo pra fumar entre o encerramento dos pedid...

 

Danoninho não mata a fome

Maicon correu de um lado da cozinha pro outro, escapando das unhas compridas da mãe, passando por baixo da mesa e se enfiando no fundinho entre geladeira e parede. A mãe correu atrás, meteu a mão pelo buraco, unhou o braço do menino de tudo que era jeito. Sangue correu. Na sala, a irmãzinha de dois anos chorava.

Sai daí, seu demônio, sai daí, seu pilantra, sai daí, dizia a mãe, os ol...

 

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