Do dia em que a menina bonita morreu

O velho bufa enquanto carrega o saco nos ombros. Ele bufa tanto que tem que parar algumas vezes no caminho pra só respirar, o peito balançando um monte. Ele escolhe um lugar debaixo da árvore, uma árvore de copa gorda que não sei qual é, nunca sei os nomes das árvores.

Ele volta pro prédio e pega a pá que tá encostada na parede, é ali que a gente sempre deixa a pá porque sabemos que...

 

Das responsabilidades de um pai de família

O soro vem diluído na água, se esquivando das garrafas pet, das latinhas e dos pedregulhos, se encaracola num arame ou outro, vai fluindo, passa pelos enormes túneis de canalização, onde tremelica sob as estruturas que solfejam de acordo com os carros e ônibus que ladeiam as ruas acima, segue entre as rampas de concreto, reluzente sobre o verde arrastado das algas ranhentas, atravessa o últ...

 

Das modulações da memória

— É que antes de morrer, Luântoni, seu padrinho decodificou todos os receptores neurais e as milhares de ligações entrecruzadas que formavam a consciência dele e a dividiu em fragmentos mínimos, partículas unicelulares.

— Mas o cérebro humano nem foi completamente mapeado ainda, pai. Como ele conseguiu?

— Tobias era um homem à frente do seu tempo. Ele imbuiu cada uma dessas pa...

 

« Carregar mais postsPosts mais recentes »