Cavalo sem ferradura morre novo

O que Lourenço queria mesmo era abrir o zíper da calça, esticar os pés noutra cadeira e deixar a cerveja escorrer pela boca e trincar a goela. Mas não. Júnio tinha os dois cotovelos apoiados no outro lado da mesa amarela da Crystal, as mãos enfiadas nas bochechas segurando o peso da cabeça, os olhos fixos nas peças. O pessoal fechava um círculo ao redor, encurralando sobretudo o calor. L...

 

Das formas de gestar um livro

Senta aí, Roberval, puxa a cadeira. Que bom que você apareceu, eu tava ficando preocupado. Desculpa atrapalhar os planos com a família. É, eu sei, você comentou, aniversário da sobrinha. Mas agorinha você volta pra lá. Deixa eu só te contar essa coisa que tá trancando a garganta aqui e tá liberado. Quer um copo?

Então, o negócio é o seguinte. Escrevi um livro. É, outro. Mas nesse...

 

De quem assiste de longe

Desce o prato, o guincho aumenta.

— O que eles tão fazendo reunidos ali, Adalberto?

— Esperando a comida.

— Desde quando você não alimenta eles?

— Acho que uns quatro dias. Mas tão com uma energia danada ainda, tá vendo?
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Desce o prato, o guincho aumenta.

— Ainda alvoroçados desse jeito?

— Resolvi não dar comida pra eles ontem.

— Olha, isso tá ficando ...

 

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