Aprende enquanto tô viva

Olha lá a mala da Maraia que a Juçara inventa de carregá pra cá.

Ela pisa torto, fala roto, tem pé canhoto e o talento de intizicá. Nem bem sabe que o Josué que ela gostava de amassá deu no pé, fugiu demais, ó, lá pras quenga de Poconé. Qual! Se um dia a gente pega os dois no bacanal era motivo de falá pro Sô Cabral, dava umas bifas nesse um pra deixar de ser trambicas.

Ah, que...

 

Lendo Cortázar no bar

Ele vai. Chegando. Perto.

- Liga o cubo aí, Beto. Deixa tudo pronto pra quando a Raquel chegar.

Ele senta. Pede. Uma cerveja.

- Ligou? Essa régua tá tão atolada de coisa que não sei se vai aguentar.

Ele vira. Pra mim. Olha. O meu. Livro. Meu. Dedo. Marcando. A página. A capa. Pra cima.

- Beleza, ligou. Pega as baquetas aí. Vamos fazer uma canjinha enquanto a Raquel não chega...

 

Televadores ex machina

Cerpin abre a boca. Desenha palavras com os lábios, a língua, os dentes. Não compreendo nada. Porque não são minhas palavras. Não são as palavras que criei. Não são as palavras que saem da boca que imaginei e materializei pelos códigos que me permitem alterar, modular e torcer qualquer tipo de conceito alcançável pelo homem, limitados apenas pelo potencial criativo e pelo referencial a...

 

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