Paradisíaca

De toda sorte de sorte me cobri.

Me cobri de resto de alga e concha. De areia na garrafa, do vidro em todas as fases. De espuma, de sal, de folha de coqueiro, de remo, de canoa, de rede, anzol e vara. Não sabia pescar e ainda não sei e não preciso que fisgo sem isca.

Fiquei pronta, expectante, tórrida, frutífera pra você. Que veio esbaforido, bracejando na água sem força e se prostro...

 

Da poesia do óbito

Estou obcecado pela minha morte.

É como gripe mal curada, que volta e meia aparece numa tosse seca, numa coriza teimosa, num latejo na garganta. Não lembro como começou. Nem quando. Entro na cozinha, olho o relógio, abro a porta do carro, apago a luz, enfio um pedaço de pão na boca, ouço o telefone tocando ou uma buzina ou alguém falando alto na rua e me vejo na cama, no leito do hospit...

 

Raiane

Vodca, cachaça e uísque e Raiane pisa fundo e nem ligamos pro cabelo esvoaçante que dá nó e uma trabalheira pra arrumar depois e retraímos o teto conversível e outro carro esporte com dois bombadinhos de topete ficam mexendo com a gente e Raiane vira numa entrada no acostamento e eles seguem por quase um quilômetro e paramos e gim, bacardi e tequila e eles chegam cheios de piadinhas e Raia...

 

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