Sento na grama. Meu almoço: duas barrinhas de cereais e uma garrafa de água. Observo os pilares brancos e curvados numa fileira, dez metros de intervalo entre cada. Lá na frente, outra fileira. Todos revestidos de amarelo pelo pó, tombados pelo vento com exceção de dois, pontas beijadas no alto como dedos encostados. Além deles a grama selvagem domina tudo até onde a vista alcança. Ontem ...
Terra na pá, de lado, um montinho, dois, três, quatro, cinco.
Aqui nos fundos a terra é fofa. É fácil de mexer. É fácil com esses braços grossos e duros que cê consegue depois de onze anos carregando pedra de um lado pro outro. Eu tive que ficar com o braço grosso. Pra pelo menos parecer forte. Porque eu não sou forte. O Eduardo era forte. E magro. Tinha 47 quilos, um metro e oitenta...
Minha mãe nunca quis que eu fosse embora. Mas sabia que o dia chegaria.
Meu pai se acabou debaixo de uma árvore que caiu pro lado errado. Ela deu a notícia sem sinal algum de tristeza e Você é o homem da casa agora. Me acordava todo dia cedo, me fazia pegar lenha, acender a lareira, tirar leite da vaca e selar o cavalo. Eu só sentava na mesa depois de fazer a barba, ou não comia.
Quan...