Aprende enquanto tô viva

Olha lá a mala da Maraia que a Juçara inventa de carregá pra cá.

Ela pisa torto, fala roto, tem pé canhoto e o talento de intizicá. Nem bem sabe que o Josué que ela gostava de amassá deu no pé, fugiu demais, ó, lá pras quenga de Poconé. Qual! Se um dia a gente pega os dois no bacanal era motivo de falá pro Sô Cabral, dava umas bifas nesse um pra deixar de ser trambicas.

Ah, que...

 

Lendo Cortázar no bar

Ele vai. Chegando. Perto.

- Liga o cubo aí, Beto. Deixa tudo pronto pra quando a Raquel chegar.

Ele senta. Pede. Uma cerveja.

- Ligou? Essa régua tá tão atolada de coisa que não sei se vai aguentar.

Ele vira. Pra mim. Olha. O meu. Livro. Meu. Dedo. Marcando. A página. A capa. Pra cima.

- Beleza, ligou. Pega as baquetas aí. Vamos fazer uma canjinha enquanto a Raquel não chega...

 

Dos latidos proféticos de Barnabé

- Levantaram a cerca da fábrica, já viu?

- Dá pra pular.

- Já pulou?

- Inda não. Durante o dia eles deixam gente cuidando. Acho que à noite também. E tem gente armada. Por modo de quê? Será que tão mexendo com ouro?

- Não é só ouro que dá dinheiro. Tem mais coisa que dá dinheiro. Eles não querem ninguém nem sabendo o que é. Mas não conhecem povo, parece. Que quanto m...

 

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