Da poesia do óbito

Estou obcecado pela minha morte.

É como gripe mal curada, que volta e meia aparece numa tosse seca, numa coriza teimosa, num latejo na garganta. Não lembro como começou. Nem quando. Entro na cozinha, olho o relógio, abro a porta do carro, apago a luz, enfio um pedaço de pão na boca, ouço o telefone tocando ou uma buzina ou alguém falando alto na rua e me vejo na cama, no leito do hospit...

 

Do bom e do melhor

Quero uma coquinha, mãe. Compra pra mim. Ah, vai. Só uma. Nem engorda desse tanto. Para. Coisinha boa. Vai, compra pra mim. Combina demais com pizza. Quem mandou você fazer pizza? Agora tem que ter coca.

Brigado, mãe. Você sabe como eu te amo, né. Te amo demais da conta. Tudo que eu tenho devo a você, mãezinha.

Mãe, os guris tão com aquele tênis novo. É, aquele com um risco verme...

 

Das facilidades do amor

Amor, tenho que te falar uma coisa. Pode ficar deitado.

Quando a gente se conheceu aquele dia na Nuun eu tava muito bêbada. Nem lembro o que a gente conversou, qual foi a cantada, se teve cantada, se não teve. Tenho certeza que você não foi o primeiro que eu beijei. No outro dia acordei na tua cama, lembra? Tava assustada porque não te reconheci. Não acreditei quando saí andando pela cas...

 

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