FLASH FICTION
DROPS RECENTES
Josaldo se agarrou ao poste, coçando a perna, rodeando a ferida que sulcava a carne e coçava, coçava. Era quase a esquina da rua, dali já via um pedaço da casa encaixada malograda no declive, verruga que deus queria coçar na couraça da terra. Casa pintada de sujeira do vento, ondas nas paredes feito filtro de foto velha.
A vó sentava na varanda com os pés cruzados, olhando pelos óculo...
A lembrança da turbulência do voo ainda irritava o estômago de Nilesh enquanto seguia Manu pelas vielas do Coophamil. Fome, mãe sagrada de todas as necessidades. Fome de vida, no caso, uma vida de rei em Singapura desperdiçada pelo equilíbrio mal calculado entre blackjack, puteiros e uísque. A Louva-Deus Sagrado o colocou para correr sem muito mais que a roupa do corpo e os dentes da boca.
...
Dá pra saber quando ele tá chegando. Porque o gato se esconde embaixo do sofá. É o único momento em que o gato faz isso, de outro modo sempre tão valente. Mas eu entendo. Eu faria o mesmo se fosse ele.
Deixo a porta aberta. Heylel sai do elevador e abre a garrafa de uísque na mesa. Serve uma dose, bebe, senta ao meu lado no sofá. Pronto?, ele diz. Pronto, respondo, uma bola na garganta....