Baldo chegou na cidade amaldiçoando cada buraco e desnível da estrada de chão. A bunda dormente reclamava, assim como as costas e os joelhos. Tá cansado, dotô?, disse Péricles, o assistente e sobrinho do prefeito, num sorriso carniceiro que deixava o dente quebrado à mostra. Baldo não respondeu, como não respondeu a muitas perguntas de Péricles pelo caminho.
Saltou da caminhonete na f...
Lava a mão, filha da puta. Lava, lava essa mão de merda. Embaixo da unha, não tá vendo que tem ali também? Esfrega detergente, sabão. Aquela escova, a escova do piso do banheiro. Isso, lava tudo. Lava até chegar no osso se te dá algum alívio.
Agora se controla. Não, caralho. Não começa a tremer e soluçar. Olha a tua barriga descontrolada, acha que isso vai dar nalguma coisa que pre...
Quer dizer que o problema sou eu? Olha, seu Honório, creio que sim. O senhor tá com quantos anos mesmo? 143, filho. Baldo balançou a cabeça. O asilo ficava em Pomerode, cidade de Santa Catarina com forte influência da imigração alemã. O problema era que os velhos, além do alemão, agora falavam também árabe, romeno, grego, latim, hebraico. E esqueceram a velhice e as doenças, bebendo, ...