É verdade, tá podre. Dá aqui, deixa eu ver. Baldo pegou a bandeja de carne moída crua, tocou, cheirou, lambeu. Era fresca, recente, nada daquele lixo que provou da panela. O que era estranho. Ele viu Martha cozinhar e servir na travessa, bonita e cheirosa. E então preta, fedida e podre.
João levantou da cadeira. Sabe dizer o que é, seu Baldo? Ainda não, seu João, mas com certeza o prob...
Ei, você aí. Você mesmo. Vamos voltar, não tem nada pra fazer na cidade. O morto parou, apontou o próprio peito. O homem fumava um cigarro, sentado na ponta de uma lápide, vestido com um sobretudo que na escuridão o fazia parecer uma pedra, não fosse a fumaça. Ele só balançou a cabeça. Você mesmo, só tem a gente no cemitério. Faz favor aqui.
O morto foi na sua direção, as peles...
- Pode sentar. Que vai ser?
- Barba e cabelo. Três dedos, a barba tira tudo.
- Deixa eu pegar a espuma. Isso. Gosto de começar por baixo. O senhor eu nunca vi antes. Vive do quê?
- Peles. Carneiro, onça, vaca, capivara. Tapete, casaco, colcha.
- É mesmo? Não vi a mercadoria, só o cavalo.
- Vendi tudo em Cotriguaçu.
- Conheço. Longe daqui. Mas Colniza é longe de tudo. Voltando pra c...