O chá da rainha [#122]

Cantpa entrou com passos curtos, silenciosos, chinelos de pano velho. Deitou a travessa na cômoda, serviu o chá fumegante e se aproximou da rainha, sentada na poltrona em frente à janela. Lia um livro grande de letras miúdas, nada que Cantpa entenderia mesmo que soubesse ler. Aguardou, o pires na mão. A rainha fechou o livro, pegou a xícara e deixou-a repousar sob o nariz. Soprou várias ve...

 

Baldo e o chapéu [#116]

No chão as marcas de giz dos corpos, uma em cada canto do escritório. Nas paredes as manchas de sangue e os buracos das balas. Na mesa pilhas de papéis, um relógio de bolso e o chapéu de palha. Nas estantes livros e mais livros. Na poltrona a mãe, inconsolável, chorando há dois dias seguidos. Não sei mais o que fazer, Baldo. A polícia já revirou tudo aqui e no resto da casa. Por que el...

 

Baldo e o alçapão [#105]

Parece um alçapão normal, Vladimir. Você disse que sua vó veio pra cá? Foi sim, seu Baldo. Ela veio. Ela e meu vô. Uma semana um, depois o outro. Daí meu pai, ontem. Viu alguém entrar nele? Não, mas olha ao redor, pra onde mais eles iriam? Baldo olhou. Não havia nada no porão da casa, absolutamente nada. O que era estranho por si só. Um cômodo daquele tamanho e nem um móvel, uma agu...

 

« Carregar mais postsPosts mais recentes »