FLASH FICTION
DROPS RECENTES
Gordo esperava as luzes da fábrica se apagarem. A luminosidade borrada das janelas e dos postes tremeluzia pela densidade da água feito um papel erguido contra o vento. Suas mãos flutuavam. Pequenos peixes rodeavam os braços e se embaraçavam, cabeceando prum lado e pro outro, admirados com o novo obstáculo no fundo do rio. Gordo coçou as guelras dos tornozelos num emaranhado de rochas pontu...
Olha lá a mala da Maraia que a Juçara inventa de carregá pra cá.
Ela pisa torto, fala roto, tem pé canhoto e o talento de intizicá. Nem bem sabe que o Josué que ela gostava de amassá deu no pé, fugiu demais, ó, lá pras quenga de Poconé. Qual! Se um dia a gente pega os dois no bacanal era motivo de falá pro Sô Cabral, dava umas bifas nesse um pra deixar de ser trambicas.
Ah, que...
Ele vai. Chegando. Perto.
- Liga o cubo aí, Beto. Deixa tudo pronto pra quando a Raquel chegar.
Ele senta. Pede. Uma cerveja.
- Ligou? Essa régua tá tão atolada de coisa que não sei se vai aguentar.
Ele vira. Pra mim. Olha. O meu. Livro. Meu. Dedo. Marcando. A página. A capa. Pra cima.
- Beleza, ligou. Pega as baquetas aí. Vamos fazer uma canjinha enquanto a Raquel não chega...