FLASH FICTION
DROPS RECENTES
Por trás da testa vincada, dos rasgos enegrecidos na bochecha, do pedaço de orelha, dos tufos de cabelo, se escondia um moleque de 19 anos.
- Que tu tá fazendo aqui, guri?
- Eu disse que ia voltar.
- Disse nada.
- Eu disse. E voltei.
Johnny já não era mais moleque, claro, não depois de amarrar um homem pelo calcanhar num galho e talhar um risco na garganta por onde pingou a no...
Achei o rádio na praia no 107º dia. Abri a tampa e vi duas pilhas enferrujadas, esverdeadas, derretidas. Mesmo assim ligou.
— zzzzzssara. Aqui quem fala é a Jussara. Na escuta?
E assim seguia, repetindo a gravação. Testei outras frequências, mas só aquela funcionava. Levei pra barraca. Fiz a fogueira, esquentei as mãos, tentei dormir e nada. A fome era tamanha que peguei um coco da...
Na época em que estive preso o ambulante foi nosso pior pesadelo.
Fui sentenciado à companhia de assassinos e ladrões, amontoados num curral de barro, urina e merda. Os guardas nos obrigavam a limpá-lo com mãos nuas e baldes furados enquanto riam e estalavam chicotes nos couros manchados de sol e vísceras podres que as crianças jogavam por sobre o muro. Durante todo aquele tempo lutando ...